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Relvas: "O desemprego jovem tira-me o sono, não sou insensível"

Miguel Relvas esteve esta tarde no Conselho para a Juventude, a falar do desemprego entre os jovens, mas foi recebido com apupos.

O Governo vai ter um guião para as políticas da juventude com vista a terminar com medidas aleatórias e para a promoção do emprego, anunciou hoje o ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas. No Conselho Nacional de Juventude (CNJ), em Lisboa, questionado sobre os elevados valores do desemprego entre os jovens, que ronda já os 40%, o governante afirmou ainda: "O desemprego e o desemprego jovem tiram-me o sono. Não sou insensível. Insensível são aqueles que no discurso se preocupam com o desemprego e na prática nada fazem". Na ocasião, Miguel Relvas anunciou que o Governo já aprovou em Conselho de Ministros um plano nacional de ação na área da juventude. De acordo com o ministro, trata-se de "uma visão integrada das diferentes políticas para o setor", querendo isso dizer que cada Ministério deixará de trabalhar separadamente as matérias da juventude. "Não haverá mais política da juventude feita de uma forma aleatória porque houve um membro do Governo que o pretendeu fazer, porque em determinado momento se decidiu nesse sentido. Passa a haver um guião que resulta do Livro Branco", explicou, em declarações aos jornalistas, no final da sua intervenção no CNJ. De acordo com a informação disponível no Portal da Juventude, o Livro Branco é inspirado nos documentos com o mesmo nome publicados pela Comissão Europeia e pretende ser um documento a nível nacional que defina uma estratégia global e um plano de ação na área da juventude. "Agora os membros do Governo passaram a ter um guião em cada uma das áreas para poder implementar medidas na área da juventude, ou seja, a política de juventude passou a ser uma coisa integrada e passou a ser global", anunciou.

Impulso Jovem

Miguel Relvas explicou que muitas das políticas para a juventude já estão integradas nos orçamentos dos Ministérios. Deu como exemplo, em matéria de políticas pelo emprego, o programa Impulso Jovem e anunciou que na próxima semana vai assinar um protocolo com a Associação Portuguesa de Imprensa para a criação de estágios em empresas de comunicação social. "Durante doze meses vamos permitir que esses jovens, financiados na totalidade pelo Estado, possam participar e possam ter acesso a uma primeira experiência profissional". "Acreditamos que com o caminho que o país está a percorrer, nós vamos a partir de 2014 crescer e quando a nossa economia crescer ultrapassaremos parte do nosso problema", acrescentou. O presidente do Conselho Nacional de Juventude, por seu lado, aproveitou para defender a integração deste órgão na Concertação Social, justificando que, apesar do desemprego jovem ser uma questão estrutural, os jovens estão à parte do sistema. "Se calhar compete ao Conselho Nacional de Juventude dar voz aos jovens nesses espaços porque cada vez que revemos a lei laboral, fazemo-lo discutindo aqueles que já fazem parte do sistema e não considerando os que estão fora", apontou Ivo Santos, para quem os jovens "nunca têm oportunidade de ter um papel de futuro". À chegada às instalações do CNJ, o ministro Miguel Relvas tinha à sua espera uma pequena manifestação de jovens que pedia novas políticas para a juventude. Assim que o carro do ministro se aproximou começaram a gritar "Gatuno" e não pararam de gritar "Governo Gatuno, assim não há futuro" até Miguel Relvas entrar no edifício. Veja o vídeo: