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Quem é o novo líder da UGT?

Tem 50 anos, é licenciado em Direito e quadro do BES. É o terceiro secretário geral da história da UGT e confessa estar "preocupado" e na "expectativa" sobre o seu desempenho à frente da central sindical. É um "desafio colossal", assume

Garante ser uma pessoa "franca e honesta", que fala de coração aberto e que não vai mudar, apesar da súbita "saída do anonimato" que até o "assustou um pouco". Carlos Silva, 50 anos, até agora presidente do Sindicato dos Bancários do Centro vai hoje ser eleito líder da UGT. Um "desafio colossal" para o qual "no início pensou que tinha condições". Mas agora está na "expectativa" e não esconde "alguma preocupação". "O futuro próximo dirá se estou preparado", disse ao Expresso.

Nascido em Lisboa, mas a viver desde 1997 em Figueiró dos vinhos com a mulher e o filho Carlos Silva está há cerca de um ano "em estágio" para secretário geral da UGT. Foi eleito pelos seus pares - e o seu nome proposto aos orgãos da central sindical por João Proença - por uma larga maioria de 95% de votos.

Garante que, de então para cá não mudou nem "a  forma de estar e de viver", nem tirou " nenhum curso de preparação".  Tenciona continuar a morar em Figueiró dos Vinhos, a quase 200km da capital e perto de duas horas de viagem. "Ainda hoje volto para casa", disse ao Expreso quarta-feira, quando nos recebeu na sede da UGT. Hoje, estará na primeira fila do Congresso.

Carlos Silva pede tempo para se afirmar. Sabe que recebeu "uma boa herança e muito sustentada", com uma central sindical "consensual e com credibilidade". 

Mas, também sabe que os tempos não estão fáceis e que os consensos alcançados por João Proença são uma faca de dois gumes. "Somos muito fustigados pelos trabalhadores sobre o incumprimento do acordo de Concertação Social", explica. O Governo fez cumprir a parte de leão que implicava cortes e austeridade, mas tarda em pôr em prática as medidas para o crescimento e para o emprego. O próximo líder sindical exige um esclarecimento.

 "Quero saber da boca dos responsáveis políticos, nomeadamente do primeiro-ministro, qual a posição do Governo", afirma, prometendo "logo na primeira reunião" da nova executiva discutir o futuro a dar ao acordo subscrito pela UGT. "O consenso não pode servir para tudo", diz, acrescentado que vem para líder "na disposição de não aturar mais a arrogância deste Governo".

A tarefa parece "colossal", agora que se aproximam novos cortes e uma razia nos Ministérios. Carlos Silva não quer acumular pelouros e terá quatro adjuntos que pretende tornar "rostos visíveis" da UGT. Nobre dos Santos, da Fesap, será a voz dos funcionários públicos, Paula Bernardo continuará na Concertação, e Sérgio Montes tratará dos transportes.

 Como é tradição, a presidência irá para os sociais-democratas: Lucinda Dâmaso, da FNE, é a eleita.