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PSD "vende" à nata dos empresários que pode ganhar eleições sozinho

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Cúpula laranja. Marco António Costa, número dois do PSD, com Passos Coelho

Alberto Frias

Marco António Costa e Maria Luís Albuquerque juntaram-se com 40 personalidades numa sala à porta fechada, ouviram opiniões e "venderam" que, sozinho, o PSD estará taco a taco com o PS. A organização foi de uma consultora francesa.

Foi esta segunda-feira, entre as 17h00 e as 20h00, no Hotel Sana, em Lisboa. Marco António Costa, coordenador da direção do PSD, passou a correr pela reunião da Comissão Política do partido, saíu e foi ter com Maria Luís Albuquerque, ministra das Finanças, a uma reunião à porta fechada com mais de 40 personalidades, maioritariamente do mundo empresarial, de quem ouviram opiniões e a quem transmitiram a ideia de que vão às legislativas aptos a ganhar.

Marco António informou os presentes de uma megassondagem (3700 entrevistas) que o PSD encomendou e cujos resultados deixaram alguns dos presentes espantados. "Ele falou de uma sondagem que dá menos de 29% ao PS, 26% ao PSD e 4% ao CDS e explicou que o PSD sozinho está próximo do Partido Socialista porque a diferença fica na margem de erro", relatou ao Expresso um dos empresários que participou no encontro, onde estiveram, entre outros, nomes como António Mexia, da EDP, Vasco de Melo, da Brisa, Diogo da Silveira, da Portucel, António Melo Pires, da AutoEuropa, João Vieira de Almeida, da Vieira de Almeida Advogados, e José de Matos, da Caixa Geral de Depósitos.

"O tom foi que isto está taco a taco e que o PSD, que está tecnicamente colado ao PS, vai lutar pela vitória", confirma outro dos presentes. Mas Marco António Costa em nenhum momento terá deixado qualquer pista sobre se irão sozinhos ou coligados com o CDS às próximas eleições legislativas.  A referência que fez aos 4% que, segundo a tal sondagem, traduziria o peso bruto do CDS, arrepiou alguns dos presentes. Mas nada foi dito que pusesse em causa a coligação ou as negociações para que ela possa avançar antes das legislativas de setembro/outubro deste ano

Coligação. Passos e Portas já deram sinais de que devem ir juntos a eleições este ano, depois da coligação pós-eleitoral de 2011

Coligação. Passos e Portas já deram sinais de que devem ir juntos a eleições este ano, depois da coligação pós-eleitoral de 2011

José Ventura

Isso, a coligação, são contas de outro rosário Ali, o que o n.º 2 de Passos quis claramente foi puxar pela alegada boa forma do PSD e passar a ideia de que o seu partido enfrenta as próximas eleições determinado a ganhá-las. 

A organização do encontro foi da Eurogrup Consulting, uma consultora francesa, de Pierre Debourdeau, que trabalhou com os Governos de Nicolas Sarkozy e François Hollande e que já colaborou com o PSD na campanha de Passos Coelho em 2011. Ao Expresso, Dubourdeau diz não ter nesta altura qualquer contrato com o partido. "A iniciativa foi nossa, não fui contratado pelo PSD, o papel de uma consultora que está bem é promover diagnósticos e visões estratégicas e fomos nós que organizámos este encontro, como amanhã podemos organizar outros com personalidades de outras áreas políticas", afirmou ao Expresso

De facto, na direção do PSD ninguém sabia de nada Matos Rosa, secretário-geral do partido, garante desconhecer qualquer contratação de consultoras. E foi com surpresa que outros vice-presidentes do PSD consultados pelo Expresso ouviram falar do encontro do Sana. Quem lá esteve relata que Maria Luís Albuquerque puxou pelas reformas estruturais feitas pelo Governo nas áreas económica e financeira e Marco António Costa chamou a si a análise político social do que foi feito e falta fazer, com destaque para a reforma da segurança social. 

Esta dupla tem corrido o país. Marco António e Maria Luís já fizeram vários encontros em várias localidades com influentes da sociedade civil, e sempre com empresários, em que divulgam a obra feita e recolhem contributos para a elaboração do programa eleitoral (do PSD ou de uma coligação com o CDS, ver-se-á).

Na frente económica, o partido de Pedro Passos Coelho conta a ajuda de Pedro Reis, ex-presidente da AICEP, e João Moreira Rato, ex-presidente do IGCP, para mobilizarem apoios e contributos programáticos. Os dois participaram, aliás, no encontro no Sana. Até finais de março, o PSD conta ter uma primeira versão das suas linhas programáticas, que estão a ser coordenadas pelo gabinete de estudos do partido. E em abril, avançarão para a versão que hão de levar às conversas a ter com o CDS.