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Política

PSD e PS retiram proposta das subvenções para evitar guerras nos partidos

Couto dos Santos foi um dos proponentes

Rui Duarte Silva

Depois de uma noite de intensas conversações, o PSD decidiu retirar a proposta. O PS foi também forçado pelas muitas pressões de vários deputados no sentido de deixar cair a proposta. Couto dos Santos e José Lello foram convencidos a retirar a iniciativa

Ângela Silva e Cristina Figueiredo

O PSD e o PS decidiram retirar a proposta da reposição das subvenções vitalícias a ex-políticos, que devia ser votada esta manhã no Parlamento, depois de críticas dentro dos próprios partidos.



Segundo o Expresso apurou, as conversas entre deputados do PSD prolongaram-se pela noite de ontem, tendo o partido conseguido convencer Couto dos Santos, o proponente, a retirar a proposta, evitando uma guerra interna.

Também o PS optou pela mesma via, após várias pressões de deputados socialistas.

Vários deputados sociais-democratas consideraram a aprovação "uma vergonha" ou "um erro colossal". A proposta, aprovada na quinta-feira na comissão parlamentar do Orçamento e Finanças, foi apresentada por um deputado do PSD e outro do PS, com cobertura das respetivas lideranças partidárias, e prevê a reposição do pagamento de subvenções vitalícias a ex-titulares de cargos políticos (ainda que com um corte de 15%). Mas o BE exigiu a votação da proposta em plenário e a partir dai houve movimentações  no PSD no sentido de inverter a situação.

Luís Montenegro, líder parlamentar do PSD, articulou-se com Pedro Passos Coelho e ontem à noite fontes da direção da bancada admitiam que "em matérias relativas ao Orçamento do Estado há disciplina de voto". Mas perceberam a necessidade de encontrar uma solução de compromisso que evitasse fraturas no grupo parlamentar e no partido, onde Carlos Carreiras, vice-presidente de Passos, apelidou o que ontem foi votado de "erro colossal".

O CDS, parceiro de coligação, precaveu-se a tempo. O deputado do partido no Conselho de Administração da Assembleia recusou-se a assinar a proposta que foi apresentada pelos colegas do PSD (Couto dos Santos) e do PS (José Lello) naquele órgão. E o CDS absteve-se na votação que ocorreu ontem na comissão parlamentar de Orçamento. Esta sexta-feira, os centristas voltarão a abster-se, se houver votação. 

Alguns dos deputados do PSD admitiam ontem à noite pedir a suspensão da votação, com o argumento de irem pedir ao Tribunal Constitucional que avalie a sua constitucionalidade. Mas a direção "laranja" travou o expediente, garantindo que iria trabalhar numa solução de compromisso.

A divisãodivisão no PSD em torno da questão chegou à direção do partido, com Carlos Carreiras a escrever um longo texto no Facebook a criticar o voto favorável do partido, que considerou "uma vergonha, um erro colossal e uma péssima decisão".

Também Duarte Marques, ex-líder da JSD, escreveu no Facebook que "isto não vai ficar assim porque ainda a votação vai no adro". E foi um dos que tentaram propor a Luís Montenegro uma saída, sem que este perca a face no processo, por ter decidido votar a favor na comissão de Orçamento e Finanças. 

No PS, onde alguns "seguristas" também criticaram a reposição das subvenções, tendo votado com o PSD na comissão e mostrado-se inicialmente disposto a votar no plenário.

A proposta da reposição das subvenções vitalícias a ex-políticos era uma iniciativa dos deputados José Lello (PS) e Couto dos Santos (PSD).