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PS parte unido para a "batalha" das legislativas. Costa diz que é preciso travar o radicalismo

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António Costa juntou sexta-feira à noite os líderes das duas fações socialistas de Matosinhos que se defrontaram nas últimas autárquicas. Na abertura da intervenção, o líder deixou um rasgado elogio a Ferro Rodrigues e trouxe à baila o caso das dívidas de Passos, acusando o Governod e ser indulgente com os próprios erros.

Lusa

O secretário-geral do PS juntou sexta-feira no mesmo espaço os líderes das duas fações socialistas de Matosinhos que se defrontaram nas últimas autárquicas, aproveitando então para defender que o seu partido está unido para as eleições legislativas.

António Costa falava no início de um jantar em Leça da Palmeira, concelho de Matosinhos, que juntou o líder da concelhia local, António Parada, e o presidente da Câmara (agora independente), Guilherme Pinto, no final do primeiro dos dois dias das Jornadas Parlamentares do PS.

"Passados dois anos" do confronto autárquico entre duas listas socialistas, "hoje, aqui, na mesma sala, estamos todos juntos. Esta batalha vai ser travada com toda a família socialista aqui em Matosinhos e em todo o país", disse, numa alusão às próximas eleições legislativas, recebendo uma prolongada salva de palmas.

 

Ferro "um grande" ministro

Na sua intervenção, António Costa evocou a primeira vitória eleitoral do PS "nas primeiras eleições livres" para a Assembleia Constituinte em 1975.

O secretário-geral do PS disse depois que o próximo aniversário do seu partido, a 19 de abril, terá lugar no Porto e evocará "a primeira de todas as vitórias" dos socialistas portugueses.

"Nessas eleições, o PS venceu perante as tendências totalitárias e resistindo às derivas radicais. Mais uma vez, 40 anos depois, apesar de não estar em causa a liberdade e a democracia, temos de travar as derivas radicais de sinal contrário", disse, numa referência crítica ao Governo.

Na abertura da sua intervenção, António Costa voltou a fazer um rasgado elogio sobre o facto de o PS ter Ferro Rodrigues como presidente do Grupo Parlamentar socialista - uma resposta indireta às críticas anónimas que têm surgido contra o estilo de atuação política do ex-ministro socialista.

António Costa referiu que Ferro Rodrigues foi "um grande" ministro, "criador do rendimento mínimo garantido" e embaixador de Portugal na OCDE. "Apesar do seu currículo, disponibilizou-se para a primeira linha do combate político", acrescentou.

 

Governo "indulgente" com próprios erros e "implacável" com penhoras

O secretário-geral do PS voltou ao ataque ao Governo, acusando-o de ser "indulgente" com os erros próprios e implacável em situações de penhora de casas de família a cidadãos com dívidas ao Estado, designadamente pagamentos à Segurança Social.

António Costa insurgiu-se contra as medidas do executivo que retiraram o acesso a muitas famílias ao rendimento social de inserção.

"Muitas famílias perderam o rendimento social de inserção (RSI), não porque a sua vida tivesse melhorado, mas porque este Governo lhes tirou o RSI ao alterar as suas regras, atirando-as para a pobreza", sustentou o líder socialista, antes de falar do caso da habitação em Portugal.

De acordo com António Costa, "muitas famílias estão a perder as suas casas por via do desemprego, por via de separações familiares ou por quebra de rendimento, deixando de ter condições para suportar as prestações à banca, ou pior, porque não têm condições de pagar à Segurança Social e estão a ser penhoradas".

"O PS propôs na Assembleia da República que as casas de morada de família não fossem penhoradas, que tivessem um tratamento diferenciado, sendo suspensas as penhoras por dívida ao Estado. Mas esta maioria PSD/CDS, que é tão indulgente com os erros próprios, é, pelo contrário, implacável com o direito à habitação das famílias. Esta maioria PSD/CDS não hesita que até a casa de morada das famílias deve ser retirada, porque a cegueira e a insensibilidade social é total e absoluta neste Governo", disse.

Costa considerou ainda "dramático" o atual Governo "não perceber" que os "problemas sociais ainda vão agravar-se", depois de recusar manter a cláusula de salvaguarda para moderar o aumento do IMI (Imposto Municipal sobre Imóveis).

Já na parte final do discurso, António Costa referiu-se com humor ao controverso discurso que proferiu recentemente perante a comunidade chinesa, na Póvoa do Varzim, no qual defendeu que o país estava diferente face há quatro anos.

"Quero desejar a todos bom apetite e fico muito satisfeito de a minha mensagem ter sido percebida. É a vantagem de ter optado por falar em português e ter aprendido que, quando uma pessoa se quer fazer entender, nunca deve falar em mandarim", disse, provocando risos na plateia.