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PS explica declarações polémicas de Costa: falou com "sentido de Estado"

FOTO NUNO ANDRÉ FERREIRA / LUSA

Depois de PSD e CDS terem elogiado declarações do líder do PS perante a comunidade chinesa, os socialistas reagem e acusam o Governo de querer desviar a atenção dos portugueses dos problemas sérios do país. Em causa está o facto de António Costa ter reconhecido que Portugal está numa situação "bastante diferente" da que estava há quatro anos - para melhor.

Fonte da direção do PS disse à agência Lusa que a intervenção de António Costa perante a comunidade chinesa foi "caraterizada pelo sentido de Estado". "Perante o exterior, António Costa recusa-se a falar mal do país, mesmo que não goste deste Governo. PSD e CDS estão a tentar um 'fait-divers' com esse assunto", justificou ainda a mesma fonte da direção dos socialistas.

Já Vieira da Silva, vice-presidente da bancada socialista, afirmou esta quarta-feira aos jornalista que a maioria PSD/CDS está a tentar desviar a atenção dos "reais problemas" ao explorar uma intervenção que António Costa fez enquanto presidente da Câmara de Lisboa. "Transformar umas imagens de uma cerimónia protocolar em que António Costa participou enquanto presidente da Câmara de Lisboa, proferindo as afirmações que são conhecidas, e pretender colocar isso como um ponto político só pode ter um efeito: tentar desviar a atenção dos portugueses da identificação dos problemas sérios que existem no país", responde Vieira da Silva.

Perante a insistência dos jornalistas sobre as afirmações de António Costa, Vieira da Silva disse não estar confrontado com qualquer polémica, "mas com um ato secundário face à atual situação económica e social" do país. "Se existe alguma dúvida sobre qual é a posição do PS e do seu secretário-geral, António Costa, em relação à situação do país e sobre o efeito da governação PSD e CDS, é muito fácil confrontar esse eventual desconhecimento, porque ainda na terça-feira [numa conferência em Cascais] fez uma extensa e fundamentada intervenção para caraterizar o falhanço das políticas de austeridade."

Na Póvoa de Varzim, perante a comunidade chinesa, António Costa afirmou a 19 de fevereiro: "Como nós dizemos em Portugal, os amigos são para as ocasiões. E numa ocasião difícil para o país, em que muitos não acreditaram que o país tinha condições para enfrentar e vencer a crise, a verdade é que os chineses, os investidores disseram presente, vieram e deram um grande contributo para que Portugal pudesse estar hoje na situação em que está, bastante diferente daquela que estava há quatro anos".