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Portugal viveu "demasiado tempo sem planear futuro"

O ministro Poiares Maduro foi hoje interrompido na Feira do Granito de Vila Pouca de Aguiar por expositor que disse estar a viver dentro da própria empresa.

O ministro Adjunto e do Desenvolvimento Regional afirmou hoje, em Vila Pouca de Aguiar, que um dos problemas do país é que pensou durante muitos anos só no presente sem antecipar e planear o futuro.

Esta declaração de Miguel Poiares Maduro surgiu na sequência da intervenção de um expositor da Feira do Granito de Vila Pouca de Aguiar, que referiu que se devia pensar mais no presente e nas dificuldades que os portugueses estão a viver neste momento.

"Eu tenho uma empresa e vivo dentro da empresa porque não tenho condições para ter um apartamento", salientou este empresário que não se quis identificar porque não quer protagonismo. O expositor pediu para falar logo após o discurso do governante na sessão de boas vindas que decorreu no recinto da feira.

Poiares Maduro prometeu que falava no final na sessão e falou. Reação mais intempestiva teve o presidente da Câmara de Vila Pouca de Aguiar, Domingos Dias que não gostou que este empresário tivesse "interrompido" a sessão.

Questionado pelos jornalistas sobre esta interrupção, o ministro disse que compreende que as pessoas sintam dificuldades com os sacrifícios que estão a passar e que compreende os protestos, sobretudo quando são genuínos.

"Mas também, como lhe disse a ele, eu acho que um dos problemas do país é que pensou durante muitos anos só no presente sem antecipar, sem planear o futuro", referiu.

Esperança assente na realidade

Poiares Maduro reconheceu as "grandes dificuldades que as pessoas atravessam, os sacrifícios que isso implica para muitos portugueses".

"Mas sei que lhes estamos a preparar um futuro melhor, sei que os portugueses têm consciência disso e que estão disponíveis para aceitar certos sacrifícios se eles tiverem como consequência o futuro melhor, um futuro mais sustentável para os seus  filhos", frisou.

Acrescentou ainda que o Governo está a procurar "oferecer esperança aos portugueses", mas uma esperança "assente na realidade".

"Durante muito tempo este país viveu fora da realidade e, nesse sentido, para nós é fundamental que a esperança que vamos oferecer aos portugueses, que o futuro que estamos a preparar aos portugueses, seja a partir da verdade, a partir da realidade, foi  isso que eu disse ao senhor e é para isso que estamos a trabalhar", frisou.

Questionado também sobre as tensões que têm vindo a público entre Bruxelas e o FMI que podem ditar o fim da 'troika', o ministro não quis comentar este tipo de questões "nem aqui nem agora".

Poiares Maduro escusou-se também a comentar o antigo Presidente da República Mário Soares que afirmou que "somos uma pseudodemocracia"