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Portugal reforça junto do líder da coligação o seu empenho em combater o Estado Islâmico

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John Allen (esq), o enviado especial da administração norte-americana para a coligação internacional contra o Estado Islâmico e o ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete

Mário Cruz/Lusa

Combater o autodenominado Estado Islâmico (Daesh), nomeadamente eliminando as fontes de financiamento do terrorismo, foi a prioridade discutida esta quinta-feira pelo Governo e pelo enviado especial da administração norte-americana para a coligação internacional que combate este movimento extremista.

As formas de combater a "ameaça global" que representa o autodenominado Estado Islâmico (Daesh) e a situação atual no que se refere à campanha militar em curso para lhe fazer frente foram duas das questões abordadas no encontro entre o ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, e John Allen, o enviado especial da administração norte-americana para a coligação internacional contra o Daesh.



A reunião que decorreu esta quinta-feira no Palácio das Necessidades, em Lisboa, contou ainda com a presença dos ministros da Defesa, José Pedro Aguiar-Branco, da Administração Interna, Anabela Rodrigues, e da Justiça, Paula Teixeira da Cruz. Outra das prioridades definida apela à "necessidade de continuar o trabalho de identificação e eliminação das fontes de financiamento do terrorismo", adianta em comunicado o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE).



"A importância de uma estratégia que contrarie a proliferação da mensagem" do Daesh foi também discutida, considerando-se particularmente relevante "o contributo e a ação dos países muçulmanos". Uma estratégia a ser desenvolvida "através da promoção de um combate ideológico em defesa dos direitos humanos, dos valores democráticos, da liberdade e da tolerância", algo em que Portugal se tem "empenhado particularmente", acrescenta o MNE. 

Destacada a participação militar de Portugal

Além de "salientada a contribuição financeira portuguesa para o trabalho humanitário do Alto-Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados" (num total de 230 mil euros em 2014), a nível militar "foi destacada pela parte norte-americana a participação de Portugal na formação e treino das Forças Armadas iraquianas, numa operação conjunta com os Estados Unidos da América e Espanha".



O comunicado recorda que "o Governo Português declarou, desde o início, a sua adesão à Coligação Internacional" e está ativo em dois grupos de trabalho, um relativo à ação militar e outro sobre combatentes estrangeiros, área em que foi sublinhada a necessidade de se "analisar a questão numa perspetiva de longo prazo", considerando também "a problemática do regresso destes combatentes aos seus países de origem".

 

"O Governo Português recordou igualmente os recentes crimes de terrorismo que se têm sucedido contra as populações da Tunísia, Líbia, Quénia ou Egito, e reiterou a forte condenação das violações e dos abusos de direitos humanos", acrescenta o comunicado.

Cinco jiadistas portugueses com mandados de captura

A visita do líder da coligação que combate o Daesh surge na mesma semana em que o Expresso noticiou a existência de cinco mandados de captura de jiadistas portugueses. Celso e Edgar Rodrigues da Costa, Fábio Poças, Nero Saraiva e um outro jiadista português já têm mandados de captura em seu nome, emitidos pelo Ministério Público, na sequência dos inquéritos que decorrem no Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) por factos relacionados com o Daesh.



Uma fonte ligada à investigação garante que os mandados foram emitidos "apenas aos cidadãos com nacionalidade portuguesa", ou seja, aos jiadistas que saíram de Portugal para se alistarem no Daesh. Fora desta lista estão os guerrilheiros que são filhos de emigrantes portugueses e que viviam em França, na Holanda e no Luxemburgo. "Os cidadãos com dupla nacionalidade não se encontram neste 'pacote'. Mas podem ter mandados emitidos pelas autoridades desses países", acrescenta a mesma fonte.