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"Perdemos todas as apostas. Ninguém imaginava que a diferença ia ser tão grande"

FOTO MARCOS BORGA

Havia confiança, mas perderam-se apostas: na sede de candidatura de António Costa, houve quem confidenciasse que a vitória aconteceu por números superiores aos esperado. E já há slogan: "É Costa, é Costa, é Costa de quem o povo gosta".

Luísa Meireles

Luísa Meireles

Redatora Principal

Eufóricos. Extasiados. Transbordantes. Simpatizantes, militantes, gente comum, líderes e dirigentes. No Fórum Lisboa, onde se reuniu ao fim da noite a multidão que foi saudar António Costa, ninguém estava à espera de um resultado que, sem chegar ainda à contagem final, já mostrava que a diferença entre os dois candidatos às primárias do Partido Socialista se abeirava de uma diferença de dois terços. 

E quando finalmente António Costa falou - ainda sem se saber o total dos resultados oficiais - ao princípio da noite, foi o delírio. Já tinham ouvido António José Seguro demitir-se de secretário-geral e gritado "PS" a plenos pulmões. Já se abraçavam e sorriam de cada vez que consultavam o  quadro electrónico que ia atualizando os resultados. Já todos estavam confiantes. 

Por isso, as centenas de pessoas que se acotovelavam no anfiteatro não precisaram de ouvir António Costa dizer que "este é o primeiro dia de uma nova maioria de Governo e o primeiro dos últimos dias deste Governo" para começarem a gritar o slogan que se adivinhava: "É Costa, é Costa, é Costa de quem o povo gosta". 

"Perdemos todas as as apostas", comentava Pedro Nuno Santos, o deputado que foi apoiante de primeira hora de António Costa. "Ninguém imaginava que ia ser tão grande a diferença." Entre os mais próximos de Costa, também se respirou de alívio: a tarefa de "unir o partido" que alguns temiam ficou, afinal, resolvida. 

"Se sabemos agora alguma coisa é que o PS não estava desunido", afirmou Pedro Nuno Santos. E se havia alguma preocupação sobre "o dia seguinte", elas desfizeram-se: "A questão mais importante foi resolvida hoje, o líder está escolhido, o resto vai-se ajustando". 

O "resto" é, eventualmente, a futura liderança parlamentar, a situação de Seguro na Assembleia. Não é a primeira vez que um líder de partido não está na Assembleia, sublinhou Pedro Nuno Santos. 

"Esta votação só mostra que o partido estava unido", repetiu a deputada Isabel Moreira, igualmente esfuziante. "Os simpatizantes e militantes deram uma grande lição de maturidade democrática ao não cederem ao discurso populista que Seguro fez - mostraram que ele não tinha razão", destacou.

Agora, cabe a Costa mostrar que está à altura dos que festejaram com ele. Ao falar no palco, ladeado por Manuel Alegre, Carlos César, Ana Catarina Mendes e Ferro Rodrigues, o já candidato a primeiro-ministro proclamou que agora se "iniciou uma nova e decisiva etapa" para "construir a alternativa a este Governo e a esta política". 

E acrescentou: "Provámos que valeu a pena mobilizar militantes e simpatizantes e partirmos daqui para mobilizar Portugal para devolver a todos os portugueses um Portugal com confiança no futuro". A música ribombou. 

Uma hora depois, quando finalmente saiu do Fórum Lisboa, foi anunciado: António Costa vai para o Rato, a sede nacional do partido. Chegou a hora de tomar o poder.