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Paulo Morais e os documentos enviados para o Parlamento. "Para a próxima não peçam"

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FOTO LUCÍLIA MONTEIRO

Vice-presidente da Associação Transparência e Integridade tinha-se disponibilizado para enviar à comissão de inquérito a lista dos beneficiários de empréstimos do BES Angola. Deputados ficaram surpreendidos ao receber um dossiê que incluía artigos de opinião do próprio Paulo Morais.

"Se quiserem usem a lista. Se não quiserem, para a próxima não peçam." O comentário final do vice-presidente da Associação Transparência e Integridade, Paulo Morais, publicado na noite desta terça-feira na sua página no Facebook, responde às notícias de ontem sobre a surpresa dos deputados da Comissão Parlamentar de Inquérito à gestão do BES perante o teor dos documentos por si enviados.

Paulo Morais tinha-se disponibilizado para enviar à comissão de inquérito a lista dos beneficiários de empréstimos do BES Angola (BESA), que dizia ter em seu poder. Mas o que chegou ao Parlamento, escreviam na terça-feira o "Jornal de Notícias" e o "Público", foi, afinal, uma lista com 15 nomes, elaborada pelo próprio, acompanhada DE recortes de notícias do jornal angolano "Folha 8" e cópias de declarações ou artigos de opinião da autoria do próprio Paulo Morais. Nada oficial, portanto.

Mas sobre isso, Paulo Morais nada diz no Facebook. "A estupefacção e o incómodo [dos deputados] devem resultar do facto de muitos destes nomes já serem públicos (já escrevi em janeiro: 'Esta longa lista de empréstimos, já divulgada em Luanda, é ignorada pela Comissão Parlamentar de Inquérito ao BES'); e os deputados nem sequer os conhecerem. Ou, se os conheciam (o que se esperaria) porque não confrontaram os administradores do BES com esta informação?", diz o vice-presidente da Associação Transparência e Integridade. E acrescenta: "Não desviem as atenções. O que está em causa é o dinheiro indevidamente colocado nas mãos dessas pessoas".