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Paulo Morais aponta para Belém

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Já pediu a suspensão sine die do cargo que ocupa na associação Integridade e Transparência. Razão: as "atividades políticas".

Bernardo Ferrão e Filipe Santos Costa

Ainda não revela como, nem para quê, mas Paulo Morais está decidido a regressar à política ativa: pediu a "suspensão sine die" do cargo de vice-presidente da associação cívica Integridade e Transparência, a organização de denúncia da corrupção que tem sido o palco da sua intervenção pública. "Com a atividade política que vou iniciar, não terei condições para voltar à associação", diz ao Expresso. O pedido para se afastar vais ser decidido "na reunião da direção deste sábado". Quanto ao seu futuro político, tinha prometido uma decisão até ao final de março, mas adiou mais um mês. "Até ao fim de abril tomo uma decisão."

O antigo número dois de Rui Rio na Câmara do Porto assegura que continua a "fazer muitos contactos" e calcula que só "nos últimos dois meses" terá falado "com mais de duzentas  pessoas". "Já estive nas comunidades portuguesas em Paris, e no Luxemburgo." E ainda quer ir à Alemanha.

Fontes envolvidas neste processo adiantam ao Expresso que tudo se inclina para que Morais assuma uma candidatura às presidenciais. Com um discurso assente na denúncia da corrupção. "O meu combate político tem vários objetivos, mas o primeiro é contra a corrupção", confirma ao Expresso. Seria uma candidatura de cidadania, à semelhança do que fez há cinco anos Fernando Nobre - isto, apesar de Morais se tentar demarcar da ideia de que quer apanhar boleia do que resta da estrutura de campanha de Nobre, à qual também esteve ligado.

A possibilidade de se envolver no lançamento de um novo partido, para as legislativas deste ano, tem sido ponderada, mas parece pouco provável. Implicaria um esforço de organização muito grande, com resultados incertos.

A grande vantagem de ir a jogo nas legislativas seria preparar terreno para as presidenciais, testando o discurso e dando palco a Paulo Morais. Este não seria candidato ao Parlamento, guardando-se para a corrida a Belém, mas surgiria como a figura de referência do novo partido, que serviria para olear a máquina de campanha. Porém, as fontes contactadas pelo Expresso referem que já será tarde para lançar um novo partido para ir às legislativas - e um arranque coxo, que desse um mau resultado eleitoral, poderia comprometer o sucesso das presidenciais.

A 'lista' do BESA

Esta semana, Paulo Morais foi notícia, não por uma nova denúncia, mas pela ausência de provas que sustentassem o que tem dito sobre os empréstimos do BES em Angola. Questionado pela comissão de inquérito ao BES sobre a identificação dos beneficiários desses milhões, Morais enviou à AR uma lista com 15 nomes. Como "prova", mandou recortes de um jornal angolano ("Folha 8") e as suas próprias palavras, num artigo de opinião e em programas televisivos. Os deputados nem queriam acreditar na "leviandade" (palavra de um deles) de alguém achar que a sua opinião podia ser "documentação" de um inquérito parlamentar. Mas Morais não se fica. "Os deputados que façam o favor de contactar as pessoas que estão nessa lista", sugere. "Eles não falam porque está lá a família do José Eduardo dos Santos, se calhar não querem afrontar as pessoas que estão nessa lista". Se calhar.