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Passos, Rajoy e Hollande. Cimeira de Madrid discute fornecimento de gás e eletricidade à Europa

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Mariano Rajoy, Jean-Claude Juncker, François Hollande e Passos Coelho reúnem-se esta tarde em Madrid, numa cimeira que, se for bem-sucedida, poderá ser o primeiro passo concreto rumo à União Energética

EMMANUEL DUNAND/AFP/Getty Images

Encontro desta tarde em Madrid deverá dar impulso às ligações energéticas entre a Península Ibérica e França e captar investimento privado. Financiamento poderá vir do Plano de Juncker, que também estará presente. 

Portugal tem defendido que pode ser, juntamente com Espanha, uma porta para a entrada de gás natural na Europa. Uma ideia que pode ficar mais perto da concretização, depois da cimeira desta quarta-feira em Madrid, adianta fonte comunitária.

Em cima da mesa está a utilização dos terminais de gás natural liquefeito (GNL) - como por exemplo o de Sines, em Portugal - para abastecer o resto da Europa, com gás vindo do norte de África.

Nas contas do Governo português, o projeto permitiria ao Velho Continente reduzir a dependência energética em relação à Rússia em cerca de 40%. O resultado poderia ser um "Iberian stream", um gasoduto semelhante ao que já existe a Norte, e que liga a Rússia e a Alemanha. Faltam, no entanto, as ligações quer entre a Península Ibérica e França, quer ao resto da Europa.

François Hollande, Passos Coelho e Mariano Rajoy reúnem-se hoje em Madrid, a partir das 17h (16h em Lisboa), numa cimeira que, se for bem-sucedida, poderá ser o primeiro passo concreto rumo à União Energética, uma das prioridades da Comissão Juncker.

O encontro de Madrid deverá ainda dar impulso às ligações elétricas entre a Península Ibérica e França. Atualmente representam apenas 1,5% da capacidade instalada, mas a meta estabelecida pelos 28 e pela Comissão Europeia é de 10% até 2020. Os valores mostram que há ainda muito a fazer - projetos por concretizar - para que Portugal e Espanha possam deixar de ser "ilhas energéticas" e possam aumentar as exportações de eletricidade.

Monitorização é essencial

Da minicimeira, que conta com a presença do presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, deverá sair um acordo sobre uma "monitorização regular" do progresso dos projetos, de forma a garantir que a meta energética é atingida, tal como está previsto na estratégia que a Comissão apresentou na semana passada sobre a União Energética.

Fonte comunitária explica ao Expresso que a monitorização deverá ser essencial para garantir que os projetos saem do papel. O sistema de acompanhamento poderá passar por "reuniões periódicas" de um grupo de trabalho que incluirá elementos dos três países e também da Comissão Europeia, e que deverão alertar os governos e Bruxelas para obstáculos de natureza técnica, jurídica, política ou de financiamento dos projetos

Financiamento pode vir do Plano Juncker

Entre os instrumentos de financiamento disponíveis está o Plano Juncker, através novo Fundo Europeu para Investimentos Estratégicos (FEIE). O encontro em Madrid espera dar um sinal aos mercados de que pode ser rentável investir em projetos na área da energia, e assim atrair investidores.

Entre os projetos em estudo estão, por exemplo, um cabo submarino de quase 400 quilómetros no golfo da Biscaia, para unir o norte da Peninsula Ibérica e região da Aquitânia, no sudoeste da França, e várias ligações através dos Pirenéus. Portugal tem também identificados projetos na área das interconexões energéticas, que podem vir a ser candidatos ao Fundo do Plano Juncker.