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Passos e Portas dão "primeiro passo para a mais credível das opções de Governo"

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Alberto Frias

Já está. Passos e Portas assinaram acordo e vão propor ao PSD e ao CDS uma coligação pré-eleitoral para as legislativas. Prometem ao país  "a mais credível opção de Governo em Portugal".

Passos Coelho reconheceu que era inevitável - "seria uma contradição se não estivéssemos disponíveis para renovar a coligação" - e Paulo Portas puxou pelo "interesse de Portugal": "somos diferentes mas temos espírito de compromisso e este é o primeiro passo para a mais credível das opções de Governo" no país.

Os dois líderes assinaram este sábado, em Lisboa, um pré-acordo de coligação para irem juntos às legislativas. Agora, irão ouvir os respetivos partidos, que terão que ratificar o acordo, o que acontecerá em maio.

Passos e Portas fizeram declarações individuais, o primeiro-ministro com um discurso confiante - "estamos a caminhar bem" -, mas cheio de alertas para a necessidade de continuarmos a ser "prudentes e responsáveis"; e o vice-primeiro-ministro mais arrojado, a garantir que PSD e CDS podem "dar a solução para um Governo estável" e a sinalizar que a coligação deverá ser aberta a independentes.

Apresentarem-se como uma solução de Governo estável e experiente é um trave do discurso dos dois líderes. "Nunca antes houve uma coligação com tanta estabilidade", afirmou Passos Coelho. "O projeto de coligação contém um projeto de futuro. Fomos chamados a governar com a casa a arder. Outros trouxeram a troika. A nós coube-nos o encargo de a fazer sair", disse Paulo Portas.

Numa reação clara ao programa económico esta semana apresentado por António Costa, o líder do CDS reafirmou a intenção de eliminar a sobretaxa de IRS e de ajudar os portugueses a recuperarem o poder de compra, e apontou aos dois partidos do Governo "uma mais valia específica: juntamente com independentes, poder dar uma maioria estável", coisa que, disse, "noutros setores não acontece".

Os dois líderes puxaram pela "credibilidade" do seu projeto político em contraponto com os riscos de regresso ao passado. Portas falou de um projeto económico "viável", sem esquecer "a história que temos de políticas sociais e de trabalho para a coesão entre gerações"; e Passos colocou aos eleitores uma escolha, "entre avançar e seguir em frente ou voltar à facilidade e ilusão". 

Ninguém falou de Costa nem do PS, mas ambos estiveram lá. A escolha do dia 25 de abril para anunciar que vão coligados traduz a preocupação de piscar o olho ao eleitorado central. Passos Coelho não cedeu a promessas, mas ainda disse que "claro que se tudo correr bem, cá estaremos para aliviar". Depois de Costa ter passado para o meio do ringue, a direita prepara-se para ir à luta.