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Passos Coelho: "Não sou um cidadão perfeito", mas "não usei o lugar para enriquecer"

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Marco António Costa, vice-presidente da Comissão Política Nacional do PSD, Assunção Esteves, presidente da Assembleia da República, e Luís Montenegro, presidente do grupo parlamentar do PSD, à chegada de Passos Coelho para o fecho das jornadas parlamentares do PSD "Acreditar Portugal", na Alfândega do Porto

José Coelho/Lusa

Passos passou ao ataque e pediu ao PSD (e ao CDS) para se prepararem "para tudo". Em reação à polémica sobre as dívidas que acumulou à Segurança Social, o primeiro-ministro diz "nunca ter usado o lugar para enriquecer". A frase está a ser entendida como uma referência indireta a José Sócrates.

Foi um mea culpa em versão light, antes de passar ao ataque. "Não sou um cidadão perfeito, tenho as minhas imperfeições", afirmou esta tarde o primeiro-ministro no final das Jornadas Parlamentares do PSD, onde o tema das dívidasque acumulou à Segurança Social causou notório incómodo.

O primeiro-ministro aproveitou para avisar o partido, "e o CDS", de que precisam de se preparar para uma campanha onde às questões políticas se vão somar questões da sua vida pessoal. A referência ao partido de Portas mostra que a coligação está em marcha para as legislativas e Passos Coelho conta com todos. "Preferia que o combate fosse político mas quando os nossos adversários têm pouco para oferecer, temos que nos preparar para tudo", afirmou.

Num discurso de fuga para a frente, Passos comparou indiretamente o seu percurso com o de outros políticos, nomeadamente com o que a Justiça suspeita ter sido o de José Sócrates, sublinhando que "nunca usou o lugar de PM para ocultar qualquer tratamento diferente do de qualquer cidadão, para enriquecer, para pagar favores ou para viver fora das minhas possibilidades".

Sem entrar em detalhe sobre o caso das dívidas que assumiu ter acumulado à Segurança Social e pago já depois de prescritas, o primeiro-ministro apenas disse que "se algum dia me têm chamado a atenção, corrigia-as imediatamente".

Visivelmente agastado com a polémica, Passos garantiu "não ter nenhuma dívida ao fisco" mas mostrou-se preparado para que outras notícias surjam: "Quero dizer que se querem remexer a minha vida, hoje sobre a segurança social, amanhã sobre as multas de trânsito, que muitas vezes me atrasei".

Quando sair do Governo, Passos diz que o país perceberá que não enriqueceu: "Voltarei à minha vida, pagando os empréstimos ao banco, assim a minha vida me ajude".