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Política

Passos aconselha críticos a terem calma

Não tenciona "ficar eternamente à frente do PSD". Nem "pôr o lugar à disposição no curto prazo". Passos desvaloriza Plataforma em torno de Rio e anuncia recandidatura.

Sem nunca referir Rui Rio ou qualquer outro nome da Plataforma criada no Porto em torno do ex-autarca que está a ser empurrado para assumir o confronto com o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho deixou um claro aviso para dentro do PSD: é cedo para pensarem em apeá-lo.

"Acho bem que se pense na futura liderança do partido. Não tenciono ficar eternamente à frente do PSD", afirmou o líder social-democrata à saída da cerimónia, no Parlamento, em memória de Sá Carneiro e Amaro da Costa. Mas aconselhou calma: "Não tenciono colocar a minha liderança à disposição". Ao contrário, afirmou, "vou apresentar a recandidatura a breve prazo".

O recado ficou dado: Passos recandidata-se nas diretas pré-marcadas para janeiro e, como afirmara horas antes a vice-presidente do partido Teresa Leal Coelho, "quem retira Passos Coelho da liderança são os eleitores, não são os barões. E para isso terão que ser eleitos".

Passos escolheu outro tom. Saudou a iniciativa da Plataforma Uma Agenda para Portugal - que reunirá Rui Rio e Pacheco Pereira numa sessão em Lisboa no próximo dia 10, precisamente quando decorrerá o Conselho Nacional do PSD que vai marcar diretas - e disse "encarar a iniciativa com regozijo". Lembrou, aliás, que ele próprio e o seu ministro Jorge Moreira da Silva estiveram ligados a ações do género, no caso a Plataforma para o Crescimento Sustentável.

Quando questionado sobre eventuais intenções dos críticos de prepararem mais do que um fórum de debate, uma alternativa à sua liderança, Passos Coelho respondeu: "isso eu não sei". Apenas lembrou que se recandidata e não tenciona para já passar a pasta.

Marco António Costa, porta-voz do PSD, disse ter sido informado por um dos fundadores da Plataforma, o provedor da Misericórdia do Porto, António Tavares, próximo de Rio, de que o objetivo era "ajudar o Governo na enorme tarefa que está a desempenhar". Mas as movimentações em curso não disfarçam o objetivo de começar a marcar o terreno ao atual líder com vista à preparação de uma alternativa de médio prazo. Rio não tem pressa e já disse que não vai ao Congresso.