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Papa tem mais 46 perguntas para os católicos

FOTO EPA

Francisco continua empenhado em mudar a Igreja. E aposta no próximo Sínodo sobre a família para uma nova visão sobre o casamento, o divórcio e a homossexualidade. O último correu bem, mas foi visto pela opinião pública como "um combate político ou desportivo", diz o Papa.

É mais um conjunto de perguntas que o Vaticano vai enviar às conferências episcopais de todo o mundo para uma "ampla consulta" aos católicos. Os temas principais voltam a ser a família, o casamento, o divórcio, a homossexualidade e a natalidade. E, sobretudo, a Igreja pretende encontrar respostas atuais para problemas que atingem a vida dos católicos nas sociedades modernas.

As 46 perguntas foram publicadas quarta-feira no site da Santa Sé pela Secretaria Geral do Sínodo dos Bispos. À semelhança do inquérito realizado em 2013 junto das comunidades católicas espalhadas pelo mundo, o Vaticano pretende auscultar as sensibilidades das comunidades. O objetivo será o de recolher todas as respostas a tempo da segunda sessão do Sínodo Extraordinário dos Bispos, precisamente sobre a família, e que decorrerá em Outubro de 2015. O documento está agora a ser traduzido e será enviado nos próximos dias às diferentes Conferências Episcopais do mundo inteiro.

Há questões sobre todos os temas "difíceis". Como o aborto: "como pode a Igreja combater o flagelo do aborto e promover uma verdadeira cultura da vida?".  A reprodução medicamente assistida: "Como pode ser desenvolvido o diálogo com as ciências e a tecnologias biomédicas no sentido do respeito pela ecologia humana da reprodução?". O Vaticano não esconde ainda os temas da homossexualidade, da comunhão dos recasados ou da nulidade dos casamentos católicos, questões que não obtiveram o quórum de dois terços no último Sínodo.

Na nova lista de perguntas, a Santa Sé quer saber "como podem tornar-se mais acessíveis - e até gratuitos -, os procedimentos necessários para determinar a nulidade do matrimónio?". Os católicos irão ser ouvidos, tal como a sua opinião pesa quanto à questão da integração dos chamados recasados. A Igreja deve "ter em conta a diferença entre uma situação objetiva de pecado e as circunstâncias atenuantes", afirma o questionário, para depois acrescentar: "O que é possível fazer? Que alternativas podem ser dadas para evitar proibições ou impedimentos desnecessários?".

Os homossexuais e a sua participação na vida da Igreja também não foram esquecidos. "Como pode a comunidade cristã dar atenção às famílias com pessoas com tendências homossexuais? Quais as respostas que, tendo em conta as diferentes sensibilidades culturais, podem ser consideradas mais apropriadas? Como é que a vontade de Deus pode ser proposta àqueles que vivem nesta situação?"

|LINK: AS 46 PERGUNTAS | 

Papa prepara novo Sínodo

"Temos de saber que o Sínodo não é um Parlamento: vem o representante desta Igreja, daquela Igreja, da outra... Não, não é isso." As palavras são do Papa Francisco e inauguram um ciclo de catequeses sobre a família que o líder da Igreja quer tratar ao longo das próximas semanas.

As palavras do Papa são tanto mais importantes quanto dão um sinal claro da vontade de manter na agenda da Igreja os temas da família, no quadro das sociedades modernas. Depois do Sínodo Extraordinário dos bispos, que reuniu em Roma no passado mês de Outubro, Francisco fez um balanço da forma como decorreram os trabalhos. E, mais ainda, tentou pôr alguns pontos nos is e marcar terreno para o próximo encontro dos bispos, que decorrerá em Outubro do próximo ano.

O Papa está satisfeito com a forma como decorreu o Sínodo e a sua ampla divulgação mundial. "Durante o encontro, os media fizeram o seu trabalho", mas a sucessão de artigos em que se mostrava as várias divisões internas teve o seu lado negativo. "Falava-se muitas vezes de duas equipas, prós e contras, conservadores e progressistas", ao bom "estilo das crónicas desportivas ou políticas".

Numa mensagem do Papa divulgada em vídeo pelo Vaticano, Francisco pretende contrapor uma nova versão - a sua -  daquilo "que foi o Sínodo" e mostrar que "não houve confronto entre fações", mas um debate "normal no caminho sinodal". "Não sei se discutiram, mas falaram alto, sim, de facto. E esta é a liberdade, é precisamente a liberdade que há na Igreja", frisou, para reforçar que o "Sínodo é um espaço protegido para que o Espírito Santo possa trabalhar".