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Oposição defende que as "nuvens negras" não vão desaparecer

Os partidos da oposição reagiram à mensagem de Natal do primeiro-ministro, defendendo que Passos Coelho usa "meias verdades" e que a mensagem de Natal era, na verdade, "uma mensagem eleitoral".

Raquel Albuquerque com Lusa

Os partidos da oposição reagiram à mensagem de Natal do primeiro-ministro acusando-o de usar "meias verdades", de continuar a "insistir na mentira e na mistificação" e de "repetir promessas que não cumpriu".

Pedro Passos Coelho disse na quinta-feira que este é o primeiro Natal "desde há muitos anos" em que os portugueses "não terão a acumulação de nuvens negras no seu horizonte". "Houve muita coisa que mudou em todo este período e finalmente começamos a colher os frutos dessas transformações", afirmou o primeiro-ministro.

Para Marisa Matias, eurodeputada do Bloco de Esquerda (BE), 2015 será um ano sem "nuvens negras" se se afastar "a maior nuvem negra do país que é a austeridade", acusando o primeiro-ministro de usar "meias-verdades" para "vender uma grande mentira". "Todos nós gostaríamos de viver no país descrito por Pedro Passos Coelho", disse. "Passos Coelho utilizou o recurso a meias verdades para continuar a vender-nos uma grande mentira."

Uma das "meias verdades" que a eurodeputada enumerou foi o facto de Passos Coelho ter dito que Portugal "vai começar a ver o aumento do poder de compra das famílias em 2015 e que isso é ilustrado pela reforma do IRS [Imposto sobre o Rendimento de Pessoas Singulares]". Para a bloquista, o importante é "aquilo que o primeiro-ministro não refere", destacando que, "neste mesmo ano de 2015, 300 milhões de euros serão retirados dos abonos de família".

Também a criação de postos de trabalho de que o primeiro-ministro falou é contestada pelo BE, considerando que "houve muito mais destruição de postos de trabalho do que criação" e que "houve 130.000 portugueses que tiveram de abandonar o país a cada ano que passou desde que este Governo está em exercício". Marisa Matias acrescentou ainda que "o mais positivo desta mensagem de Natal é que foi a última mensagem de Natal do primeiro-ministro".

 

Mensagem eleitoral

Carlos César, presidente do PS, disse que a comunicação do líder do executivo não se tratou de uma mensagem de Natal, "mas sim de uma mensagem eleitoral". "Ao não saber separar uma coisa da outra, o primeiro-ministro revela como para ele os cidadãos são votantes cujos votos importa arrecadar, e não pessoas cuja dignidade importa preservar. Infelizmente, o primeiro-ministro mostra-se longe da dimensão humanista que gostávamos de ver e que deve orientar, de resto, os governantes, sobretudo em tempo de crise", disse.

De acordo com o presidente do PS, "os poucos aspetos positivos" que constaram do balanço político feito pelo primeiro-ministro "escapam manifestamente ao mérito do Governo".

"E o primeiro-ministro não se justifica nos negativos: no de ter conseguido ao mesmo tempo aumentar sacrifícios e dívida; adiar reformas e colapsar sistemas onde tocou, como na justiça e na educação; deixar o país sem política externa, seja em África, no Atlântico, no espaço ibérico, tornando-se irrelevante no contexto europeu e abandonando as comunidades emigradas", acusou.

Carlos César disse ainda que "no mar de dificuldades que atravessamos, de facto, as nuvens negras no horizonte só se dissipam pela perceção de substituição do atual Governo, que espero que se concretize".

 

O "grande consenso nacional"

O PCP sublinhou também que as "nuvens negras" a que Pedro Passos Coelho se referiu não vão desaparecer. "Temos mais de 2,5 milhões de pobres em Portugal, dos quais meio milhão são crianças. Portanto, essas nuvens negras vão continuar", defendeu João Dias Coelho, membro da Comissão Política do PCP.

"Perante o grande apelo que o primeiro-ministro fez relativamente ao consenso nacional, o PCP diz que sim, que há um grande consenso nacional, que é a necessidade de demissão do Governo para uma outra política que lance o país num outro caminho." João Dias Coelho disse ainda que o que o Governo faz "é dar com uma mão, mas, depois, tira com as duas". "A carga fiscal será enorme particularmente em relação aos trabalhadores, já que o grande capital, como no que respeita ao IRC, continuará a beneficiar enormemente", acrescentou.