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O sucessor elogiou o legado do antecessor, apesar dos "inevitáveis erros de percurso"

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FOTO HOMEM DE GOUVEIA / LUSA

Miguel Albuquerque, novo presidente do Governo Regional da Madeira, assumiu funções esta segunda-feira. "Seremos imunes a pressões ilegítimas ou a interesses." E garante que  não terá "receio de tentar estabelecer consensos com a oposição em matérias vitais e estruturais".

Marta Caires, na Madeira

Miguel Albuquerque tomou posse esta segunda-feira, no Funchal, com um discurso de esperança para o "jovem desempregado, a mãe de família angustiada e o idoso que vive na precariedade social", mas disse também que quer consensos com a oposição e até saudou o antecessor, Alberto João Jardim, que assistiu à cerimónia de investidura do XII Governo Regional da Madeira na plateia do salão nobre do Parlamento regional.  

A História, sublinhou, irá fazer o justo julgamento de Alberto João Jardim, do legado que deixa e do qual Albuquerque se orgulha, apesar dos "inevitáveis erros de percurso". A situação, admitiu, não é fácil, mas os madeirenses não devem seguir pelo caminho do pessismo. A Madeira precisa de esperança e o novo presidente comprometeu-se no discurso de tomada de posse a "estabelecer pontes de diálogo".  

"Temos a humildade de ouvir os outros, mas que ninguém duvide da nossa determinação férrea de tomar as decisões necessárias ao bem comum. Seremos imunes a pressões ilegítimas ou a interesses sectoriais que desvirtuem o nosso dever", disse o novo chefe do executivo regional. Albuquerque quis vincar a diferença com o passado e lembrou que irá ao Parlamento assiduamente.  

"Não temos receio em tentar estabelecer consensos com a oposição em matérias vitais e estruturais para o futuro da Madeira", realçou como antes tinha feito o novo presidente da Assembleia. Tranquada Gomes lamentou os incidentes do passado que deram má imagem do Parlamento e, tal como Albuquerque, prometeu que a partir desta segunda-feira será diferente.  

"O novo povo tem cada vez mais as atenções centradas nos políticos e nas suas instituições. Não os podemos desiludir", disse e voltou a lembrar, com clareza, que serão respeitados os direitos da maioria e os da oposição. O ciclo, disseram nos discursos as duas principais figuras da região, é outro, as pessoas mudam, as prioridades e a forma de fazer política também.  

Os novos órgãos de governo próprio da Madeira estão empossados após um período de quatro meses de governo gestão, os últimos de Jardim como presidente do Governo Regional. O presidente cessante, que apresentou a demissão a 10 de janeiro após a eleição do novo líder do PSD-Madeira, fez a última inauguração no sábado, um hotel na Calheta. No domingo, assistiu ao cortejo da Festa da Flor ainda como chefe do executivo. O último ato oficial como presidente.  

As pontes com Lisboa

Os novos órgãos de governo próprio estão em funções, Jardim já não faz parte da equação e de Lisboa parece soprar uma brisa de mudança no relacionamento com a Madeira. Marco António Costa, que esteve na cerimónia em representação do PSD nacional, disse que, a partir de agora, o relacionamento com o PSD-Madeira é também impecável do ponto de vista pessoal, dada a amizade entre Pedro Passos Coelho e Miguel Albuquerque.  

De Lisboa, no entanto, o Governo Regional precisa mais do que um relacionamento pessoal impecável dada a dimensão da dívida e a necessidade de aligeirar a austeridade na Madeira. Luís Marques Guedes, que esteve em representação do Governo da República, garantiu que existe neste momento total disponibilidade para dialogar. "O Governo da República estará sempre disponível para dialogar com os governos regionais da Madeira e dos Açores sem fazer distinções."  

Marques Guedes fez questão, antes de falar sobre o relacionamento institucional entre governos, de louvar o legado de Alberto João Jardim, o que fez pela Madeira, que arrancou da situação de uma das regiões mais pobres do país para aquilo que é hoje. Ou seja, uma terra desenvolvida e sem comparação com o que era há quatro décadas. 

 

PSD QUER OPINIÃO DO PS SOBR SITUAÇÃO NA TAP 

"O que se está a passar na TAP é muito grave, está em causa o interesse nacional e ainda não ouvimos o que pensa o Dr. António Costa sobre o que se está a passar na TAP." Marco António Costa, vice-presidente do PSD, estranhou esta segunda-feira o silêncio do líder do PS sobre a greve e a situação na TAP e que os sociais-democratas consideram graves para os interesses do país.  

O vice-presidente do PSD, que falou à margem da cerimónia de tomada de posse do Governo Regional da Madeira, não percebe este silêncio, até porque não têm faltado oportunidades a António Costa para dizer o que pensa. Aliás, como já fez João Cravinho, também socialista, antigo ministro e que se manifestou contra o que está a acontecer na TAP.