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O rolo compressor da corrida a Belém: 13 declarações que desassossegaram 24 horas

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Corrida a Belém ainda agora vai no início

Rui Ochôa

Está tudo a falar de Presidenciais. O tema pegou fogo nos últimos dias. Há Sampaio da Nóvoa, há Gama, há Guterres, há Morais, há Marcelo. Só nas últimas 24 horas contámos pelo menos 13 declarações sobre o tema. E quase tantos candidatos...

Martim Silva

Martim Silva

Diretor-Executivo

As legislativas são daqui a seis meses mas o tema do momento são as eleições presidenciais de janeiro que vem. Entre candidatos assumidos, candidatos velados, declarações de apoio e muitas críticas, não há quem não fale do tema.

Comecemos com Jaime Gama. O próprio exclui qualquer candidatura presidencial e o assunto não lhe merece qualquer reflexão aprofundada, afirma o Observador (e o "Sol" desta sexta-feira faz manchete com isso). Mas a autoexclusão de Gama não parece, manifestamente, afastá-lo das notícias. 

Ainda esta manhã, o antigo dirigente socialista Ascenso Simões escreve no Facebook que "se a eleição fosse indireta Gama seria Presidente. Num sufrágio universal Gama nunca será Presidente". E aponta várias razões, desde a ausência de vontade à forma como comunica, até ao facto de Gama ser "Presidente de um banco do Grupo BES, convidado por Ricardo Salgado, mantendo-se em funções até hoje".

Quinta-feira à noite, foi Francisco Assis a falar do nome do antigo presidente da Assembleia da República. "Há necessidade de uma candidatura de centro-esquerda, no meu entendimento, com toda a minha humildade, e a pessoa com melhores condições é o dr. Jaime Gama. Agora, isso não significa que estou a pretender condicionar seja quem for, ou a direção do meu partido", afirmou Francisco Assis no seu habitual programa semanal na TVI 24. 

Gama também mereceu, no mesmo programa, um comentário do bloquista Fernando Rosas: "A candidatura de Jaime Gama é uma boa candidatura para a esquerda, porque é da direita do PS, daquela parte do Partido Socialista que mais se confunde com uma parte do PSD. É uma candidatura que liberta muito espaço à esquerda do PS, [onde] há cerca de 15 a 20% de votos", disse. Ou seja, tanto Assis como Rosas desejam Gama... mas por razões bem diferentes.

António Guterres não vem 

Sobre António Guterres, que esta quinta-feira recusou fazer comentários sobre política nacional, leia-se sobre a sua candidatura presidencial, quem foi mais taxativo foi o sempre muito bem informado Jorge Coelho. Que na "Quadratura do Círculo", na SIC Notícias, garantiu: "Guterres não é candidato. E quem tem de o saber já sabe". Isto é, o ACNUR já informou Costa e a direção do PS da sua irrevogável decisão. Não estou nem aí, parece querer dizer Guterres (citamos a frase de Paulo Portas dita na segunda-feira mas que com este corrupio parece ter sido proferida há um ano).

Quem quis pôr água na fervura, ou pelo menos evitar que a ebulição continue, foi o líder parlamentar do PS. "O direito à palavra é sagrado no PS. Agora, na minha opinião, o PS, enquanto tal, só deve apoiar uma candidatura presidencial depois das eleições legislativas", disse Ferro Rodrigues. A julgar pelo que se passou nas horas anteriores e nas seguintes não parece que o assunto tenha ficado adormecido. 

Sobre Sampaio da Nóvoa, e depois do polémico artigo desta quinta-feira de João Taborda da Gama no "Diário de Notícias", em que o acusava de ter pactuado com o chumbo do falecido Saldanha Sanches nas provas de agregação académicas, em 2007 (matéria que o Expresso Diário de ontem abordou, mostrando como a lei está neste caso do lado de Sampaio da Nóvoa), Augusto Santos Silva veio defender o antigo reitor da universidade de Lisboa.

"Nóvoa presidiu a esse júri, porque era então o reitor da Universidade de Lisboa.Não participou na votação, nem podia participar, por não ser da área do conhecimento em questão. Como presidente, dispunha de voto de qualidade, se esse voto fosse necessário. Mas o candidato foi reprovado por seis a três", afirmou o professor universitário e antigo ministro de Sócrates e Guterres.

De forma lúcida, o antigo ministro de Guterres João Cravinho reconheceu que a candidatura de Sampaio da Nóva causa problemas ao PS: "É óbvio que há um problema eventual perante uma candidatura de Sampaio da Nóvoa, como de outra que possa aparecer com peso, de conciliação da salvaguarda de um debate profundo, de uma mobilização do país para as legislativas", afirmou aos jornalistas, que o questionaram sobre se tal candidatura colocaria um problema ao PS. 

Cravinho argumentou que "a grande batalha do PS agora é realmente preparar-se, combater, difundir, procurar mobilizar para as legislativas" e que, por isso, "existe uma conciliação necessária, mas difícil entre uma candidatura para as presidenciais e todo o processo de mobilização para as legislativas". 

Ainda à esquerda, que é onde o assunto provoca nesta altura mais agitação, temos também Carvalho da Silva.  "Aquilo que afirmei foi a existência de uma disponibilidade em função da observação de um quadro concreto de projetos". A frase é do antigo secretário-geral da CGTP, no seu espaço de comentário habitual na RTP, horas depois de o "Jornal de Notícias" ter afirmado que a sua candidatura presidencial está mesmo em marcha. Ora, se não está parece.

Que se passa à direita? 

Olhemos agora para o outro lado do espectro político. Que também se mexe, embora nesta altura em águas menos revoltas.

"As consequências no PS estão à vista, por isso, parece-me que seria muito mau que o PSD seguisse o mesmo caminho. É melhor não cometer os erros que estão a ser cometidos no PS", afirmou o fundador do PSD e militante número um do partido, Francisco Pinto Balsemão.

Outro social-democrata, Nuno Morais Sarmento, também falou sobre o assunto. Para contrariar a tese marcelista de que o candidato do centro-direita só deve avançar em outubro, depois das eleições legislativas. No seu espaço de comentário semanal na RTP, Sarmento defendeu que quem se apresentar em outubro fica "limitado" pela discussão das soluções de Governo pós-legislativas e defendeu que o melhor tempo é "abril ou maio, até junho". Uma declaração que parece um abrir de portas para o avanço de Rui Rio, outro dos muitos nomes que têm sido falados como presidenciáveis nos últimos tempos.

Na TVI 24, o eurodeputado do PSD Paulo Rangel afirmou que "uma pessoa como Marcelo Rebelo de Sousa ou António Guterres não precisam de apresentar a sua candidatura a não ser depois das eleições legislativas. Não precisam porque têm um grau de reconhecimento tal, na opinião pública, (...) Se houver outras pessoas que queiram ser candidatas, não podem ter esse timing. 

Mas a dança não fica por aqui. Paulo Morais, antigo vice-presidente de Rui Rio na Câmara do Porto e que nos últimos anos tem-se lançado numa verdadeira "cruzada" anticorrupção, já fez saber que é candidato presidencial. E até tem data marcada para o lançamento: dia 18 no Piolho, um café emblemático do Porto

Não deve ser influência do frenesim nacional, mas quem também vai anunciar a sua candidatura presidencial no domingo é... Hillary Clinton. Nos Estados Unidos, obviamente.