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O filho de históricos comunistas que vai mandar na maior Câmara do país

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Fernando Medina é, desde 2013, vice-presidente da Câmara de Lisboa e responsável pelas pastas das Finanças, dos Recursos Humanos e do Turismo

José Ventura

Com a saída de António Costa da liderança da Câmara de Lisboa, Fernando Medina torna-se esta segunda-feira o presidente da maior autarquia nacional.

Cristina Figueiredo e Paulo Paixão

Foi escolhido para número dois da lista de António Costa às eleições autárquicas de 2013, ocupando o lugar que era até aí de Manuel Salgado, no que foi logo visto como um sinal de que seria nele que Costa apostava para liderar a Câmara após a sua saída. 

Alguns meses após tomar posse, já ninguém na Câmara parecia duvidar de que a opção por Medina fora acertada. Em pouco tempo, o ex-secretário de Estado de Vieira da Silva nos governos de Sócrates (acompanhou-o no Emprego e na Indústria) rapidamente ganhara peso e influência na máquina camarária: com o pelouro das Finanças, tudo passava por ele.

Fernando Medina, 42 anos cumpridos há menos de um mês, respira política desde o berço. É filho de dois históricos quadros comunistas (Edgar Correia, já falecido, e Helena Medina) que romperiam com o PCP. Cedo se afastou do trilho dos pais. Ainda independente, ganhou a associação de estudantes na Faculdade (Economia, no Porto). E é, desde há anos, uma estrela em ascensão no PS. Era deputado antes de entrar na vida autárquica.

Em 2013, face à inevitabilidade de Costa poder tentar outros voos antes de 2017, o aparelho socialista em Lisboa fez o diktat: "A Câmara não poderia ficar entregue a um independente". Era o que aconteceria se ocorresse uma sucessão natural: Manuel Salgado, sem cartão do PS, vereador do Urbanismo, era nessa data (desde 2007) o vice-presidente do Executivo. Medina foi assim um fruto da planificação socialista.

Conhecia-se o delfim, ignorava-se o timing de uma sucessão. Em agosto, no Expresso, António Costa - então apenas candidato a candidato a primeiro-ministro, nas primárias contra António José Seguro - admitia que, a deixar a Câmara, poderia fazê-lo só mesmo depois da vitória nas legislativas. E já este ano, Fernando Medina corroborou a ideia: "Costa só deixará de ser presidente da CML quando for nomeado primeiro-ministro",  disse ao "Diário Económico". Enganou-se.