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O eufemismo depois das tréguas

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Na maioria espera-se que Passos Coelho reedite a estratégia usada em 2014 aquando do caso Tecnoforma. Isto é, que esgote o assunto logo na intervenção inicial e, quando muito, nas respostas ao PS, a quem cabe a primeira leva de perguntas

Luís Barra

É esta tarde, a partir das 15h. O debate quinzenal com o primeiro-ministro vai tratar de "questões de relevância política, económica e social". Eufemismo para... dívidas de Passos à Segurança Social.

Cristina Figueiredo

Cristina Figueiredo

Jornalista da secção Política

Houve alguns dias de tréguas, mas, no Parlamento, ninguém se esqueceu que Pedro Passos Coelho ainda tem perguntas por responder no que respeita aos seus descontos para a Segurança Social enquanto trabalhador independente entre 1999 e 2004.

Passos bem tentou encerrar o tema na passada sexta-feira, em Matosinhos, altura em que disse esperar não ter de voltar a falar publicamente sobre esta matéria. Mas depois do vice-presidente do PSD, José Matos Correia, ter garantido na semana passada que o primeiro-ministro daria todos os esclarecimentos que faltavam no debate quinzenal marcado para esta quarta-feira, é isso mesmo que se espera que aconteça.

Oficialmente, do que se vai tratar é de "questões de relevância política, económica e social". Oficiosamente, toda a gente sabe que isso não quer senão dizer: dívidas de Passos à Segurança Social.

Na maioria espera-se que o chefe do Executivo reedite a estratégia usada em 2014 aquando do caso Tecnoforma. Isto é, que esgote o assunto logo na intervenção inicial e, quando muito, nas respostas ao PS, a quem cabe a primeira leva de perguntas.

Dirigentes sociais-democratas e centristas ouvidos pelo Expresso reconhecem que o PS tem tratado o tema de forma diferente dos restantes partidos da oposição, justificando "merecer" o máximo de esclarecimentos possíveis. Voltar à comparação com José Sócrates - como Passos fez no encerramento das jornadas parlamentares, na semana passada - está absolutamente posto de parte: "Por uma questão de princípio não se deve comentar casos em apreciação na justiça", esclarecem.

Os socialistas não antecipam o que vão perguntar a Passos. "Aguardamos a intervenção do primeiro-ministro", limita-se a dizer Ferro Rodrigues.

O Bloco de Esquerda, por sua vez, espera que Passos entregue na Assembleia da República os documentos referentes às suas contribuições para a Segurança Social entre 1999 e 2004, bem como toda a correspondência que trocou com a Segurança Social quer em 2012 - quando foi confrontado, pela primeira vez, com a existência de dívidas -, quer agora - quando regularizou parte da dívida.

O facto de não ter pago há três anos mas tê-lo feito agora; o facto de só ter pago 4000 euros quando os registos da Segurança Social apontam para uma dívida superior a 7000 euros, são algumas das pontas que continuam soltas.

O debate com o primeiro-ministro tem início marcado para as 15h e terá uma duração aproximada de hora e meia. Passos Coelho é quem abre os trabalhos, com uma intervenção inicial de 10 minutos. Seguem-se os pedidos de esclarecimento de PS, PCP, BE, PEV, CDS e PSD.