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Morais Pires diz que investimento da PT no BES foi "uma combinação" entre Salgado e Granadeiro

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O objetivo de Henrique Granadeiro é que a acareação com Luís Pacheco de Melo, antigo responsável financeiro da PT (à esq.), permita saber quem está a falar verdade sobre a decisão, do lado da Portugal Telecom, de aplicação dos tais quase 900 milhões de euros no GES

Tiago Miranda

Antigo CFO do Banco Espírito Santo desmente Granadeiro e garante que os 900 milhões que a PT perdeu no GES resultaram de "uma combinação" entre os dois líderes. Ex-chaiman da Portugal Telecom, que já tinha sido desmentido por Pacheco de Melo sobre o mesmo assunto, propõe uma acareação com este ex-responsável financeiro da empresa.

Filipe Santos Costa

Filipe Santos Costa

Jornalista da secção Política

Dois desmentidos: primeiro, foi Luís Pacheco de Melo, antigo responsável financeiro da PT. Agora, é Amílcar Morais Pires, ex-número dois do BES. O alvo de ambos é Henrique Granadeiro, o ex-chairman da PT e ex-presidente executivo da PT SGPS. A causa dos desmentidos são os quase 900 milhões de euros que a PT investiu (e perdeu) no Grupo Espírito Santo.

Granadeiro disse, quando esteve na comissão parlamentar de inquérito ao caso BES/GES, que a proposta de investimento foi feita à PT por Ricardo Salgado e Morais Pires - mas este vem agora dizer que tudo foi "uma combinação" a dois, entre Granadeiro e Salgado.

Numa carta enviada a Fernando Negrão, a que o Expresso teve acesso, Morais Pires desmente que tenha participado na proposta feita a Granadeiro para o investimento da PT em papel comercial da Rioforte. "O que existiu não foi uma proposta seguida de aceitação, mas sim uma combinação. E essa combinação foi feita entre o dr. Ricardo Salgado e o dr. Henrique Granadeiro", escreve o ex-responsável financeiro do BES.

Mais: Granadeiro tinha acusado Morais Pires de ter dado credibilidade à proposta do BES, por ter assento tanto na administração do banco como da PT SGPS, mas também por ter omitido informações relevantes sobre os problemas da Rioforte, que terão contribuído para o incumprimento por parte desta holding do GES. Nada mais falso, garante Morais Pires: "Não conhecia, nem era suposto conhecer, tais informações sobre debilidades económico-financeiras da Rioforte. E, porque as ignorava, obviamente não as omitiu. E muito menos deliberadamente", escreve o ex-braço-direito de Salgado. É provável que o pingue-pongue não fique por aqui.

Granadeiro propõe acareação

Para já, Henrique Granadeiro enviou uma carta ao presidente da comissão parlamentar de inquérito (CPI) ao caso BES, propondo um frente a frente para saber quem diz a verdade. Não com Morais Pires (cuja carta chegou no mesmo dia que a de Granadeiro), mas com Luís Pacheco de Melo, o antigo responsável financeiro da PT.

O objetivo de Grandeiro é que a acareação permita saber quem está a falar verdade sobre a decisão, do lado da PT, de aplicação dos tais quase 900 milhões de euros da PT no Grupo Espírito Santo - dinheiro que a operadora perdeu devido ao colapso do GES.

Granadeiro lembra na missiva que, depois do seu depoimento perante a CPI, Pacheco de Melo, ex-CFO da PT, "produziu afirmações e opiniões que desmentem ou contrariam uma questão nuclear deste caso": saber de quem foi a decisão de aplicar tantos milhões em empresas do Grupo Espírito Santo.

Granadeiro assumiu apenas a responsabilidade sobre a aplicação de cerca de 200 milhões de euros da PT SGPS na Rioforte, tendo imputado a "outros" - nomeadamente a Pacheco de Melo - a opção de colocar mais liquidez da telefónica no universo Espírito Santo. Uma versão que seria, depois, frontalmente contrariada por Pacheco de Melo, que foi à CPI dizer que foi Granadeiro quem "deu orientações para mudar para a Rioforte" a dívida que estava na Espírito Santo Internacional, num total de 897 milhões de euros.

É essa divergência que o ex-chairman da PT quer esclarecer olhos nos olhos com o ex-CFO. "Estou disponível para a acareação que porventura essa comissão entenda útil", escreveu grnadeiro na carta endereçada a Fernando Negrão, considerando que tem "o direito de pedir" essa acareação. Compete, agora, a Fernando Negrão aceitar ou recusar a sugestão, depois de ouvir os partidos.

Será que, entretanto, chega também a proposta para uma acareação entre Henrique Granadeiro e Morais Pires?