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Marques Mendes. "Se Guterres não queria ser candidato, devia ter dito mais cedo"

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O comentador da SIC diz que António Guterres "andou aos ziguezagues" e que causou "um embaraço enorme ao PS e a António Costa". Marques Mendes vê em Sampaio da Nóvoa "uma solução e um problema para o PS". 

Luís Marques Mendes disse este sábado, durante o seu habitual comentário na SIC, que António Guterres "andou aos ziguezagues", sem esclarecer se estava ou não na corrida às presidenciais. "Se Guterres não queria ser candidato, devia ter dito mais cedo para clarificar as coisas", afirmou.

Ainda que considere "respeitável" a decisão de António Guterres de não avançar com uma candidatura presidencial, Marques Mendes defende que com isso "criou um embaraço enorme ao PS e a António Costa". 

Já sobre a possível candidatura de António Sampaio da Nóvoa, Marques Mendes defende que "só há Sampaio da Nóvoa porque não há Guterres." Na sua opinião, o ex-reitor da Universidade de Lisboa é um "candidato que tem méritos", mas "é simultaneamente uma solução e um problema para o PS".

Por um lado, explica, é uma "solução" porque outros possíveis candidatos já confirmaram que não vão avançar, como é o caso de António Vitorino ou António Guterres, "que eram as preferências". Por outro lado, Sampaio da Nóvoa "tem um grande problema". Em causa está o facto de ser menos conhecido e, por isso, "precisar de fazer imagem".

"O PS só queria tratar disto depois das legislativas", diz. No entanto, "teve de introduzir o debate presidencial mais cedo". 

Quanto às consequências disso, Marques Mendes aponta em primeiro lugar "as divisões do PS". Em segundo lugar, "isto prejudica António Costa na sua tarefa de afirmar a sua alternativa [sobre o Governo]", acrescenta, numa referência às próximas eleições legislativas.

"Em terceiro lugar, o Governo não tem oposição, está à solta", diz o comentador, criticando o facto de a atenção estar sobretudo focada nas eleições presidenciais de janeiro de 2016, para as quais diz que poderão surgir "oito ou nove candidatos".

"Devíamos estar a tratar de legislativas e estamos a tratar de presidenciais", acrescentou, lembrando que ainda nenhum partido apresentou um programa eleitoral. "É um contra-senso."

Quanto às candidaturas da direita, Marques Mendes refere "três potenciais candidatos" - Santana Lopes, Rui Rio e Marcelo Rebelo de Sousa. "Nenhum deles precisa de tempo para fazer imagem." Por isso, "podem decidir só depois das legislativas".

O ex-líder do PSD defende também que se algum deles apresentar a candidatura mais cedo "é por um interesse particular", fazendo referência a "vaidade" ou "calculismo". "Acho que se acontecer não é por uma razão de interesse nacional, é por uma questão pessoal", argumenta. "E é um erro para o próprio candidato."

Avançar sem coligação "é uma confissão de derrota antecipada"

Quanto às legislativas e à possível coligação entre o PSD e o CDS, Marques Mendes diz que o que tem sido dito em relação a negociações, "é tudo ficção". "Neste momento não há negociações a decorrer."

Para o social-democrata, ir a eleições em coligação "é a solução natural". Se não o fizerem, passará a ideia de que "estão desavindos" e esse é o "primeiro desgaste".

"Se forem em separado, é uma confissão de derrota antecipada", afirma, acrescentando ser também "uma bênção a António Costa".