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Marques Mendes: novas regras de cobertura mediática das campanhas são "um disparate"

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A proposta de lei sobre as novas regras de cobertura mediática das campanhas é "má no conteúdo" e "má na forma", porque "foi feita à socapa, às escondidas". Marques Mendes criticou ainda o timing da proposta. "Comemora-se a liberdade e faz-se uma lei para limitar a liberdade".

Helena Bento

Jornalista

"Acho que é um disparate", disse Luís Marques Mendes, referindo-se à  proposta de lei do PSD, PS e CDS sobre as novas regras de cobertura mediática das campanhas.  

Marques Mendes, que falava no seu comentário habitual na SIC, considerou que a proposta de lei, que prevê a obrigatoriedade de as redações terem de apresentar os seus planos de cobertura dos procedimentos eleitorais a uma entidade externa, é "má no conteúdo", porque "limita a atuação dos orgãos de comunicaão social" e é "má na forma", porque "foi feita à socapa, às escondidas".

O comentador criticou ainda o timing da proposta, apresentada na véspera do dia 25 de abril. "Comemora-se a liberdade e faz-se uma lei para limitar a liberdade". A "lei correta", considerou Marques Mendes, devia ter "duas preocupações": "respeito pela constituição" e "total liberdade editorial". 

Ainda em relação ao 25 de abril, Marques Mendes comentou o discurso de Cavaco Silva, o último enquanto Presidente da República. Na sua opinião, Cavaco Silva fez o discurso "mais social destes últimos tempos, muito virado para o desemprego dos jovens e para a saúde". "Foi um discurso fortemente social". 

O comentador destacou ainda o facto de o Presidente da República ter apelado "aos consensos", de modo a "baixar o nível de crispação e a conflitualidade política". "Daqui a sete, oito meses, vão dar-lhe razão, porque não vamos ter consenso entre políticos até às eleições".

Comentando o programa económico apresentado esta semana pelo PS, Marques Mendes disse que se trata de um documento "claro", "concreto" e "inovador". O comentador disse ainda que, ao contrário do que a oposição fez notar, o programa é "moderado" e "equilibrado politicamente". "António Costa é muito inteligente. As eleições ganham-se ao centro e ele sabe disso".

Apesar disso, o mesmo documento apresenta não só alguns pontos negativos, como o facto de ser "arriscado" dada a incerteza das condições necessárias para o seu cumprimento, como também um "ponto perigoso", que tem a ver com a redução da TSU.

Na opinião de Marques Mendes, a proposta apresentada pelo partido socialista, que prevê a redução da polémica TSU para as empresas e trabalhadores, pode levar a um "rombo na segurança social". António Costa pode "perder pontos" aqui, considerou o comentador.