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Marques Mendes. "Henrique Neto causou incomódo ao PS, mas também ao lado centro-direita"

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FOTO LUÍS BARRA

O ex-líder do PSD considera que o "mau-estar" gerado no PS com a candidatura de Henrique Neto a Belém prende-se com a eventualidade de António Guterres não entrar na corrida presidencial. E se o PSD resolver antecipar o anúncio do seu candidato isso será um "sinal de fraqueza".

Luís Marques Mendes elogiou este sábado a candidatura de Henrique Neto à Presidência da República - um candidato com "qualidades" - e defendeu que causou incomódo não só ao PS como também ao PSD.

"A candidatura foi uma surpresa do ponto de vista político, mas é de saudar - goste-se ou não se goste - Henrique Neto tem qualidades. É uma pessoa corajosa, frontal e independente. É uma candidatura na linha de Fernando Nobre, não sei se o resultado será o mesmo", afirmou o ex-presidente do PSD no comentário de sábado na SIC.

Para Marques Mendes, o primeiro candidato oficial a Belém é um "candidato anti-sistema", tendo gerado logo à partida uma situação de "mau-estar" no PS. O motivo? António Guterres. "É por causa de Guterres que estão todos preocupados, com a  eventualidade de ele não se candidatar. Eles estão a descarregar as frustações em Henrique Neto, porque se não é António Vitorino também não é Maria de Belém ou  é Sampaio da Nóvoa", considerou

O ex-líder do PSD sublinhou ainda que a candidatura de Henrique Neto provocou também um "certo incómodo ao lado centro-direita", apontando para as declarações de Marco António Costa, vice-presidente do partido, que disse na sexta-feira que o PSD terá que aprovar o candidato presidencial antes das eleições no verão, enquanto Passos Coelho tinha dito que seria depois das legislativas.



"Esta fotografia podia ser para Rui Rio. Mas se houver uma mudança na estratégia do PSD isso para mim será um sinal de fraqueza, parece que estão a precisar de uma muleta. E em segundo lugar, é desastroso para a pessoa que for esse candidato pois parece uma espécie de marioneta política e se correrem mal as legislativas é logo uma derrota à partida", apontou.



O PSD em vez de andar em "manobras políticas" devia concentrar-se na economia e no desemprego, ou seja "aquilo que realmente interessa à pessoas", realçou.

Sobre as previsões do Banco de Portugal, - que apontam para um crescimento de 1,7% este ano, o comentador diz que a confirmar-se é um "grande resultado"

"É hipocrisia todos acusarem Carlos Costa"

Em relação à Comissão de Inquérito ao BES, Marques Mendes disse fazer um "balanço muito positivo", tendo sido recolhidas informações importantes para esclarecer os cidadãos sobre o caso.

"O presidente da Comissão de Inquérito do BES foi justíssimo, além da estrela Mariana Mortágua, Carlos Abreu Amorim, Cecília Meireles também se distinguiram. Houve contudo muita gente que não pôde ser ouvida. Era importante saber se o Credito Agricole, tal como Ricardo Salgado, está contra o que aconteceu ou se está contra Ricardo Salgado", disse o comentador, sublinhando que o grupo financeiro está  a pensar avançar com um processo contra Salgado e a família. 

Marques Mendes elogiou ainda a atuação de Carlos Costa, lamentando que todas as responsabilidades pelos problemas no BES sejam atribuídas ao governador do Banco de Portugal (BdP).  "Agora está na moda aquilo a que chamo um novo desporto nacional: o tiro ao governador. Toda a gente acusa Carlos Costa, acho que é um exercício de hipocrisia", defendeu.

O ex-líder do PSD lembrou ainda que Carlos Costa foi nomeado por um Governo do PS e que "nunca viu nenhum político" a exigir a saída de Salgado. "Carlos Costa teve o mérito de ter a coragem e a independência de fazer aquilo que nunca ninguém fez, foi pôr ordem naquele que se considerava o todo-poderoso do país", sustentou. 

Terminada a comissão de inquérito, Marques Mendes disse acreditar que se entrará agora num período de "politiquices" com "a oposição a dizer que a culpa é do Governo e do Governador do Banco de Portugal e a maioria a dizer que a culpa é de Ricardo Salgado".

E remata: "Espero que se tenham propostas o futuro para que situações destas não se repitam e espero também que sejam capazes de explicar onde foi para onde foi o dinheiro."