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Maria Luís aceitou acordo com a Grécia mas exige informação para acompanhar o processo

EMMANUEL DUNAND/AFP/Getty Images

Governo "desmente categoricamente" ter estado contra o acordo. Ministra foi "exigente nos procedimentos" e quer conhecer compromissos gregos. Varoufakis alega "boas maneiras" para não comentar.

O Governo "desmente categoricamente" a notícia veiculada por uma televisão grega, segundo a qual Portugal e Espanha teriam tentado vetar o acordo com a Grécia, fechado sexta-feira na reunião do Eurogrupo.

Fonte do Governo garantiu ao Expresso que a notícia é falsa. Maria Luís Albuquerque terá tido, no entanto, uma posição exigente na reunião. Sem estar contra os termos do acordo, a ministra das Finanças exigiu ser informada das propostas concretas que o Governo grego terá que entregar na segunda-feira às instituições internacionais (como passaram a chamar a troika), e que traduzirão as reformas com que Atenas se compromete.

"Fomos firmes na defesa deste procedimento, que é mais democrático", explicou fonte oficial ao Expresso. Depois de Passos Coelho ter lembrado no Parlamento que as posições de Lisboa sobre a Grécia estão alinhadas "com 18 países", o Governo português mostra querer evitar que as negociações com Atenas que se vão seguir ao acordo de base decorram em núcleo fechado. Lisboa, como Madrid, esperam que a maioria dos paises não aceite facilidades em excesso para Atenas e exigem estar informados das propostas gregas para acompanharem o processo.

O presidente do Eurogrupo confirmou à saída da reunião ter havido "um acordo total e uma discussão sobre os próximos passos. Tudo isso foi clarificado." Questionado sobre se alguns ministros tinham ficado descontentes com o acordo, Jeroen Dijsselbloem disse preferir "não ser específico".

Varoufakis  também foi evasivo na resposta sobre se Portugal e Espanha tinham sido particularmente resistentes na reunião. Mas deixou perceber que houve sensibilidades em confronto. E alta tensão entre Lisboa e Madrid e Atenas.

"Eu comprometi-me a dizer a verdade, mas também há uma coisa chamada boas maneiras", afirmou o ministro grego das Finanças, adiantando que "foi claro na reunião que os ministros de Portugal e Espanha são motivados por prerrogativas políticas deles".

O seu homólogo espanhol admitiu "ter que defender os seus interesses". Mas deixou claro que, apesar disso, respeitou totalmente o acordo.

Maria Luís Albuquerque preferiu não falar no final do encontro.