Siga-nos

Perfil

Expresso

Política

Marcelo Rebelo de Sousa. "Nunca, como nos momentos de morte, se fala de Cultura"

  • 333

"Nunca, como nos momentos de morte, se fala em Cultura", disse Marcelo Rebelo de Sousa no seu comentário semanal na TVI.

Rui Ochôa

"O único momento em que os jornais das oito abrem com Cultura é quando alguém morre", disse Marcelo Rebelo de Sousa, no seu comentário semanal na TVI. O comentador falou sobre Manoel de Oliveira e José Silva Lopes. As eleições legislativas regionais da Madeira e a candidatura de Sampaio da Nóvoa à Presidência da República foram assuntos também abordados por Marcelo.

Helena Bento

"O único momento em que os jornais das oito abrem com Cultura é quando alguém morre", disse Marcelo Rebelo de Sousa este domingo à noite, no seu comentário semanal na TVI.

"Nunca, como nos momentos de morte, se fala de Cultura", acrescentou, referindo os nomes de Herberto Helder e Manoel de Oliveira. Sobre o realizador, Marcelo disse que o mesmo "tinha uma ideia de cinema" e "filmava para si". Prova disso é a existência de um filme inédito que o realizador fez questão de manter em segredo até morrer, e que será entretanto exibido, referiu.

"O Manoel não queria contar histórias, e hoje a maior parte dos filme conta histórias. Foi um pioneiro do cinema em Portugal à sua maneira e tinha uma noção de tempo que não corresponde à ideia que nós atualmente temos", disse, referindo que o realizador fora "genial" não apenas nos filmes que fazia, como também na sua vida. "Manoel deu-nos uma lição de envelhecimento".  

Marcelo falou também sobre morte do economista José Silva Lopes, lembrando que este "atravessou dois regimes" e que foi ele que "liderou o primeiro acordo com as comunidades europeias", tendo sido muito admirado por Marcelo Caetano. O comentador descreveu Silva Lopes como sendo "muito frontal, invulgarmente frontal e brutal na expressão das suas opiniões, mas ao mesmo tempo muito construtivo". 

Sobre as eleições legislativas regionais na Madeira, que deram a vitória ao PSD, Marcelo disse que a situação eleitoral do arquipélago não pode ser "extrapolada" para o país. "Madeira é Madeira. País é país". Apesar disso, considera que a derrota do PS é um "mau começo para António Costa". 

Sobre os indicadores económicos divulgados esta semana, relacionados com o desemprego e o crescimento da riqueza do país, Marcelo disse que "os números são mais positivos do que negativos" e que são "simpáticos para o Governo". Apesar disso, reconheceu que "números são números, demoram muito tempo a chegar ao bolso das pessoas" e que "não é líquido que, só por si, tenham efeitos positivos para o Governo". 

O comentador mencionou ainda as eleições presidenciais e a candidatura de Sampaio da Nóvoa, que deverá ser anunciada à Presidência da República na próxima semana. "Discordo da visão de que Sampaio da Nóvoa é um candidato menor" disse. Na sua opinião, o ex-reitor da Universidade de Lisboa vai ser apoiado pelo PS antes das legislativas como "sinal de abrangência à esquerda", isto é, para criar novos "entendimentos à esquerda".