Expresso

Siga-nos

Perfil

Perfil

Política

Marcelo "fez-se ao piso" e pôs PSD de pé

  • 333

Veio de surpresa, antecipou-se a Santana e levantou o Congresso. Aparentemente, se quiser, é candidato . 

Ângela Silva

"Não tencionava vir e, de repente, ontem à noite, comecei a ficar comovido. Vim todo o avião a pensar: vou, não vou? De repente comecei a pensar na Olivetti onde escrevi o comunicado fundador do PPD/PSD ... e vim, por uma razão afetiva". Marcelo agarrou literalmente a plateia. Veio à conquista do partido igual a si próprio. E pôs o Congresso de pé.

"Uns disseram-me: não vás, vão dizer que te estás a fazer ao piso para qualquer coisa. Se queres, fica mal e se não queres estás lixado". A gargalhada irrompeu no Coliseu. Quererá Marcelo ser candidato presidencial? O próprio não falou de presidenciais, mas não ficam dúvidas de que quis um reencontro de alto nível. Com o partido e com o seu líder, num registo de total liberdade e avesso a espartilhos. Goste ou não Pedro Passos do seu estilo para candidato presidencial.

 "Pedro Passos Coelho é irritante", assumiu Marcelo. "O país está melhor mas não está melhor em tudo", afirmou, em resposta à pergunta que Passos lançara ao Congresso na véspera. O professor assumiu que o líder "tem uma coisa que o irrita", mas admitiu que isso - a frieza com que o PM esgrime listas intermináveis de números - . "é a faceta negativa daquilo que eu nele admiro: a segurança". Paulo Portas levou por tabela: na crise do verão, "quem reagiria como Pedro Passos Coelho?".

Sempre num tom envolvente e desarmante, Marcelo foi-se demarcando do Governo - "não é preciso ser social-democrata para estar solidário com os que sofrem", "não vale a pena negar a realidade. Vai haver um tempo em que as pessoas já sentem umas coisas melhor mas ainda acham pouco".

"Aqui não aplaudam. Aplaudam para dentro". Desafiante, lembrou que o PSD é "um partido livre ("o que digo ao domingo é a prova disso, eu digo cá dentro o que digo lá fora").

Lá dentro, Marcelo Rebelo de Sousa - que foi demolidor com António José Seguro e com o PS, fazendo o discurso mais cáustico e eficaz contra o maior partido da oposição, só comparável ao de Paulo Rangel -, deixou um aviso: "qualquer que seja o resultado das europeias e das legislativas, vai ser necessário haver consensos no futuro próximo. Logo a seguir às europeias, em junho, tem que se tratar desse dossié".

Terminou com um "os líderes passam, mas os partidos ficam". E uma frase que pode ter que ver com as pazes com Passos Coelho, depois da aparente clivagem provocada pela moção do líder que Marcelo considerou na altura tê-lo exluído das presidenciais: "as continuidades são muito fortes, mesmo quando as ruturas são grandes".

O Coliseu rebentou em aplausos. Aparentemente, se quiser ser candidato, Marcelo tem caminho aberto.