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Marcelo acredita que Guterres estará "condenado" a ser candidato presidencial

Rui Ochôa

Para o comentador, a última carta de Sócrates foi "ao lado" e o ex-primeiro-ministro está-se a transformar numa "sombra" para o PS. Quanto à visita de Guterres ao Estabelecimento Prisional de Évora considera que não teve uma conotação política.

Marcelo Rebelo de Sousa defendeu este domingo, no seu comentário semanal na TVI, que se António Guterres não for para as Nações Unidas estará "quase condenado" a ser candidato do PS às eleições presidenciais que, no seu entender, serão "decisivas" para o futuro do país. Por outro lado, descartou a possibilidade de uma recandidatura de Ramalho Eanes a Belém. 

"O problema de Guterres é isto: as presidenciais vão ser decisivas" para gerir o panorama político, porque não haverá maioria absoluta, afirmou o comentador. " Ou Guterres vai para as Nações Unidas ou se não for estará quase condenado a ser candidato, mesmo não querendo", acrescentou.

Marcelo respondia uma questão da jornalista Júdite Sousa a propósito das ambições do atual Alto Comissário das Nações Unidas para os refugiados, na sequência da visita a José Sócrates no Estabelecimento Prisional de Évora.

Ainda sobre as eleições, questionado sobre o movimento que pretende apelar ao general Ramalho Eanes para se recandidatar à Presidência da República, Marcelo diz não acreditar nessa possibilidade. "Isso só mostra que é o político mais consensual, nem mais à esquerda ou à direita tem anticorpos", declarou, realçando o facto da entrevista desta semana ao antigo Presidente na RTP ter tido maior audiência do que a recente entrevista ao primeiro-ministro.

"Agora eu não acredito que ele próprio à distância de 40 anos da sua candidatura queira avançar nesse sentido, mas percebo a ideia, pois [o próximo chefe de Estado] terá que gerir tacos sem a maioria absoluta mais à esquerda ou à direita, vai ter que tomar decisões muito importantes", explicou.

Quanto à deslocação de Guterres à prisão de Évora, o ex-líder do PSD disse acreditar que a ação não teve uma conotação política. "Ele foi lá porque é um homem de caráter, quando tem um amigo preso, preventivamente ou não preventivamente, que foi seu colaborador muito próximo durante não sei quanto tempo antes de ser Governo e depois de ser Governo, obviamente vai visitá-lo. Não me surpreendeu, é católico e bem formado", sustentou. 

Sobre a última carta de Sócrates, Marcelo sublinha que esta se inscreve na sua campanha de "defesa paralela", defendendo porém que foi uma " carta ao lado". "Para se defender tem que ter um algo preciso. Não pode atacar toda a gente, não pode atacar os políticos todos, nem os professores de direito todos, não pode atacar a comunicação social toda. Primeiro porque isto cansa e depois porque pode perder a eficácia", declarou.

 

Mau sinal para a democracia portuguesa

Para o comentador, José Sócrates está-se a transformar numa "sombra" para o PS e para o debate político, especialmente penoso quando se esperam as eleições.    

Marcelo Rebelo de Sousa mostrou-se ainda preocupado com o crescente clima de frição entre António Costa e Passos Coelho. "Se a ideia do Presidente em não convocar eleições antecipadas era desdramatizar o clima eleitoral não conseguiu. É evidente que vai valer tudo. E quando começa assim não acho que seja um bom sinal para a democracia portuguesa", apontou.

 

Oito interessados na compra do Novo Banco

Questionado sobre a comissão parlamentar de inquérito ao BES e ao GES, o  ex-líder do PSD argumentou que na última semana "começaram a ficar perfiladas as posições dos partidos" em relação ao caso e ao apuramento das responsabilidades.

Relativamente à venda do Novo Banco, Marcelo anunciou a existência de oito interessados no negócio, acrescentando além dos já conhecidos - BPI, Santander, BBVA, Banco Popular, os chineses da Fosum que compraram a Fidelidade, o fundo americano Apollo, e um grupo soberano árabe - o interesse de um fundo europeu.