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Manifesto pede unidade a PCP e Bloco

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É um novo apelo para que a esquerda se una contra o PS e a coligação de direita. Para "salvar Portugal".

Manuel Loff, professor universitário e por várias vezes candidato independente pelas listas da CDU, é o primeiro signatário do "Manifesto para uma esquerda que responda por Portugal". Juntou nomes como o de Fernando Rosas, do Bloco de Esquerda, assim como de Mariana Avelãs e Jorge Leite, fundadores do Congresso das Alternativas. E até mesmo do ex-capitão de Abril, Pezarat Coreia. Todos juntos querem um entendimento entre o PCP e o Bloco para as próximas legislativas porque "só a esquerda pode salvar Portugal".  

O objetivo é o de serem ouvidos. Mas não pediram audiências nem a um nem a outro dos partidos que consideram "imprescindíveis" para mudar o quadro político que, nas próximas eleições, vão decidir quem formará o próximo Governo. Pelo menos, por enquanto. "Não me sinto capacitado para tal", explica Manuel Loff ao Expresso, admitindo que integra "um grupo ad hoc" que quer apenas "suscitar um debate importante" e assumir as suas responsabilidades enquanto "cidadãos individuais, que não dispensam o papel de atores políticos". 

A tarefa não é simples, mas os subscritores não têm dúvidas de que sem um entendimento entre o PCP e o Bloco não haverá mudança possível. "Não nos resignamos à ideia de que vai haver alternância sem alternativa", explica o historiador, para quem "o milhão de portugueses que saiu à rua no 15 de setembro não desiste" e continua "desiludido" com o rumo dos partidos que, tradicionalmente, são chamados a governar. Além de mais, "a evolução do PS foi no sentido de eleger um líder da gestão Sócrates, que não traz novidade, nem abre expectativa para qualquer mudança". Sendo assim, só mesmo a esperança pode ser dirigida "para essa esquerda, à esquerda do PS, que tem muitos anos de atividade e que sempre manteve uma grande coerência na recusa da austeridade e da ideia errada de que foram os portugueses responsáveis por viverem acima das suas possibilidades".  

Resistir não basta

"As esquerdas não podem continuar a ser o que sempre foram", diz o Manifesto, que considera que "resistir é pouco para salvar Portugal" e que o estado a que o país chegou "exige soluções corajosas". 

O arqueólogo Cláudio Torres, os músicos Luís Cília e Carlos Mendes e o professor universitário Reis Torgal, foram já ativistas em várias causas políticas. Voltam a este Manifesto com a promessa de "trabalhar para que esta proposta forte para salvar Portugal" possa fazer o seu caminho. E, se é verdade, que os últimos tempos têm mostrado mais uma fragmentação política da esquerda, do que uma aproximação de posições, nem isto faz desistir os proponentes do Manifesto. Garantem que não vão "formar qualquer nova organização", mas apenas contribuir para juntar os cacos. Afinal, há "um milhão de pessoas que, regularmente, vota à esquerda do PS e que não se resigna". Essa massa de desiludidos sabe como o PCP e BE "não têm qualquer ambiguidade sobre a rejeição das políticas de austeridade", diz Manuel Loff. E, afinal de contas, há lições a reter. "A História ensina-nos que não se deve menosprezar a desilusão dos povos, porque isso pode produzir forças antidemocráticas e trazer consequências gravíssimas para o país".