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Louçã. "O suicídio europeu é a vitória alemã"

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Para Louçã, as principais propostas gregas - um novo programa que afastasse a austeridade e a negociação da dívida - fracassaram, em grande parte por decisão alemã

Marcos Borga

Ex-líder do Bloco diz que a Grécia foi isolada e que isso terá consequências muito negativas na Europa.

Luísa Meireles

Luísa Meireles

Redatora Principal

Francisco Louça considerou hoje que, depois das eleições gregas, houve "um suicídio europeu", que representa ao mesmo tempo " a vitória alemã" e que "isto, mais o abandono do bem público, não é democracia"

O ex-líder do Bloco de Esquerda falava a propósito da situação na Europa, num debate organizado pelo Instituto Europeu da Faculdade Direito de Lisboa sobre o tema "Grécia, um ponto da situação".

Para Louçã, as principais propostas gregas - um novo programa que afastasse a austeridade e a negociação da dívida  - fracassaram, em grande parte por decisão alemã. As consequências políticas para a Grécia serão ou a aceitação de um novo programa com mais medidas de austeridade, ou o seu arrastamento para fora do euro, disse.

A irrelevância das estruturas europeias, a par do assumir pela Alemanha de um papel de "mandante exposto", em vez de um "condutor relutante" foi, entre outras, uma das "consequências da aprendizagem grega para a Europa". "Esta diferença tem um enorme impacto na simbologia europeia", reiterou.

Num tom desencantado, Louçã afirma igualmente que se está a lutar por uma Europa que já não existe, onde não há espaço para uma outra política e onde houve uma "normalização da elite", isto é, "a inexistência de qualquer discurso que se exclua da norma".

"A elite europeia colapsou no isolamento do Governo grego", diz o ex-líder bloquista, que afirma que todo este processo tem consequências no sistema político: a sua "mediocratização", onde os conflitos não se decidem, e "a irrelevância dos agentes políticos, de carreiras misteriosas".

"Uma Europa onde a política não existe deixa a Grécia sem possibilidade negociação, qualquer governo de esquerda ou qualquer política social, na impossibilidade de qualquer negociação", concluiu.,