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Kant, Zeca e Sophia passaram por São Bento

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FOTO TIAGO MIRANDA

Há sempre um espaço para terceiros abrilhantarem um discurso. De Protágoras à rapper Capicua, eles foram dar uma ajuda às celebrações do 25 de abril, esta manhã, na Assembleia da República.

Cristina Figueiredo

Cristina Figueiredo

Jornalista da secção Política

Coube a Heloísa Apolónia (PEV) iniciar o rol de discursos na sessão solene comemorativa dos 41 anos do 25 de abril. E citando a poetisa obrigatória: O 25 de abril foi, nas palavras de Sophia de Mello Breyner, "como casa limpa/como chão varrido/como porta aberta".

A deputada dos Verdes encerrou a sua intervenção com outro nome incontornável, Ary dos Santos: "O que é preciso é termos confiança/se fizermos de maio a nossa lança/isto vai meus amigos isto vai".

Pedro Filipe Soares (BE) foi menos óbvio. Citou a rapper Capicua: "Temos tudo o que é estudo/ emprego zero/o salário não sobe/ é precário mas não ouve/não há nada menos podre e não sais de casa dos pais/nào vais longe/um dia melhorará mas não é hoje".

E ainda o escritor Eduardo Galeano, recentemente desaparecido: "Há outro mundo na barriga deste, esperandi. Que é um mundo diferente. Diferente e de parto difícil. Não nasce facilmente. Mas com certeza pulsa no mundo em que estamos".

O socialista Miranda Calha recorreu a Martin Luther King: "É sempre tempo de não deixar o silêncio dos bons ser abafado pela gritaria estridente dos maus".

E a Miguel Torga:"É impossível que o tempo atual não seja o amanhecer doutra era".

Por fim, a presidente da Assembleia da República citou os clássicos.  Protágoras: "A virtude da política pode se ensinada e todos a devem aprender". Kant: "O problema da instituição de uma Constituição perfeita depende de uma relação externa legal entre os Estados e não pode resolver-se sem esta última".