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Juntos, afinal, não Podemos

O Movimento tem só um mês, mas já com uma cisão. A comissão dinamizadora dissolveu-se. Há acusações de "boicote" e "estalinismo".

Com apenas um mês de vida, o Juntos Podemos enfrenta uma guerra interna. Joana Amaral Dias acusa de "boicote" e de "tentativa de manipulação" um grupo de militantes, que respondem com acusações de "desnorte" e "ganância" à ex-dirigente bloquista. "Isto não é da Joana", responde um dos opositores internos.



Reuniões "num ambiente tenso", "perda de confiança" entre os elementos dirigentes descrevem a situação de guerra interna, que dividiu o movimento. Num ponto apenas parecem estar todos de acordo: a cisão tem consequências graves e o movimento pode vir a morrer na praia. Ou seja, antes mesmo de nascer como candidato às próximas legislativas, como se apresentava publicamente.



"Não há condições", diz o comunicado assinado por 14 membros da Comissão Dinamizadora, único órgão representativo do movimento, eleito no passado dia 14 de dezembro. Joana Amaral Dias, Nuno Ramos de Almeida e Carlos Antunes são os rostos mais conhecidos da estrutura que, esta semana, se autodissolveu por achar que o movimento sofreu "uma tentativa de ocupação e de controlo externo" que acham "inaceitável". O alvo é o Movimento Alternativa Socialista (MAS), partido liderado por outro dissidente bloquista, Gil Garcia, que assumiu "integrar o Juntos Podemos".



Amaral Dias e Ramos de Almeida não gostaram: "Era implícito que a presença de partidos políticos organizados não faria sentido" na criação de um movimento que se queria apenas de cidadãos, diz o comunicado. Ramos de Almeida acrescenta: "Não aceitamos que nenhum partido mande em nós" e denuncia as "tentativas de manipulação das assembleias do movimento, com camionetas de militantes enviadas pelo MAS".



Gil Garcia acha "ridículas" as acusações, contra o seu partido. "O MAS não teve mais de 12 mil votos nas eleições, não dirige nada, não quer anexar seja o que for. É apenas o bode expiatório", afirmou ao Expresso.  O dirigente do MAS tem uma leitura diferente. Acusa Ramos de Almeida de "ser um militante comunista e de fazer uma manobra, bem na tradição do PCP, de evitar que o movimento Juntos Podemos se impusesse e concorresse às eleições".



Ups, não registámos o nome


Na discussão entrou também João Labrincha, independente e um dos organizadores da manifestação de 2011, da Geração à Rasca. Acusa a "troika PCP/Nuno/Joana de ganância e desnorte" e não desiste de falar em nome do Juntos Podemos, convocando mesmo para o próximo domingo, em Lisboa, uma nova assembleia para discutir o futuro do movimento. No fim de semana seguinte, será a vez do Porto.

A paternidade do Juntos Podemos é, aliás, outro dos problemas. Na verdade, segundo Nuno Ramos de Almeida, "não creio que tenhamos feito o registo do nome". Por isso mesmo, há páginas do Facebook e uma subscrição de assinaturas online para a constituição de um novo partido que passam ao lado dos criadores do movimento.

Nada que impeça Ramos de Almeida de prometer tomar "todas as medidas necessárias para que eles (os opositores) não fiquem com o nome. O Juntos Podemos não pode ser apropriado", diz.



A confusão, porém, está instalada. "Este conflito não valoriza o nosso movimento", diz Ramos de Almeida. "Há o perigo de morrer na praia, porque nenhuma guerra ajuda a criar um movimento", diz Gil Garcia. Pelo menos, aqui, há acordo.