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Jerónimo questiona se há membros do Governo "por conta própria" no caso da lista VIP

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"É uma questão profundamente inquietante, que um secretário de Estado ou um ministro trabalhe por conta própria, à revelia do conhecimento do Governo e dos seus principais responsáveis", acusa Jerónimo de Sousa

Fernando Veludo/Lusa

Para o líder comunista, Passos Coelho "deve um esclarecimento, dada a afirmação rotunda que fez na Assembleia da República de que não havia lista alguma".

O secretário-geral do PCP manifesta-se surpreendido com a possibilidade de membros do Governo estarem a trabalhar "por conta própria", à revelia do Executivo, ao comentar as demissões na Autoridade Tributária devido à alegada lista VIP de contribuintes.



"Então, mas cada membro do Governo trabalha à peça? É uma questão profundamente inquietante, que um secretário de Estado ou um ministro trabalhe por conta própria, à revelia do conhecimento do Governo e dos seus principais responsáveis. Se isso aconteceu, então é uma desautorização do próprio primeiro-ministro, que deve retirar as suas ilações", afirmou esta manhã Jerónimo de Sousa, à margem de um encontro com a FENPROF (Federação Nacional de Professores), na sede do partido em Lisboa.



Para o líder comunista, Passos Coelho "deve um esclarecimento, dada a afirmação rotunda que fez na Assembleia da República de que não havia lista alguma" e "a primeira medida que se exige ao primeiro-ministro é vir retificar essa falsidade e, naturalmente, apurar responsabilidades".



Jerónimo de Sousa reagia às declarações da passada semana de Passos Coelho e do secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Paulo Núncio, que asseguraram não haver qualquer lista VIP de contribuintes e intervenção do Governo nesse sentido. Entretanto, o subdiretor-geral da Justiça Tributária e Aduaneira, José Maria Pires, apresentou na quarta-feira a sua demissão à ministra das Finanças, que a aceitou, já depois de no mesmo dia o diretor-geral da Autoridade Tributária, Brigas Afonso, ter feito o mesmo.



A polémica instalou-se com a divulgação, também na quarta-feira, pela revista "Visão", da existência uma alegada lista de contribuintes VIP.



Brigas Afonso justificou a sua decisão com a necessidade de "proteger a instituição e os funcionários", vincando que estavam a ser ponderadas novas medidas de proteção de dados na AT, mas que estas não chegaram a ser implementadas.



"O problema é outro", diz Jerónimo, "o facto de tantos portugueses verem as suas vidas devassadas, terem de pagar com língua de palmo qualquer irregularidade ou atraso, e que haja aqui uma elite de protegidos que, independentemente do que façam, estão sempre salvaguardados por essa lista de VIP. Isto é antidemocrático, injusto e deve ter consequências políticas", referiu ainda o secretário-geral do PCP, reiterando a necessidade de demissão do executivo de Passos Coelho e Paulo Portas.