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Política

Jardim quer dívida da Madeira integrada na dívida nacional

Orçamento da Madeira para 2014 foi aprovado pela maioria PSD. Oposição vota em bloco contra.

Marta Caires, correspondente na Madeira

Alberto João Jardim quer que a dívida pública da Madeira seja integrada na dívida nacional enquanto não for feita "justiça" e a região não for compensada pelos cinco séculos de domínio português.

O presidente do Governo Regional fez a exigência hoje no discurso de encerramento do debate do Orçamento para 2014 na Assembleia Legislativa. O orçamento foi aprovado pelo PSD e toda a oposição votou contra.



Apesar do discurso de uma hora de Alberto João Jardim, o último dia do debate do orçamento ficou marcado pelo incidente com o deputado do PND, tirado à força do plenário por três funcionários da Assembleia. Jardim explicou depois porque se recusou a ouvir Hélder Spínola. Segundo disse, a atitude para com o deputado "fascista ao quadrado" prende-se com a atitude do vereador da Nova Democracia na Câmara do Funchal, que nunca assiste aos discursos do Governo na autarquia.



Quanto ao Orçamento para 2014, Jardim justificou-se que não é o que queria, que a Madeira depende do exterior e há uma crise nacional e mundial. O líder do Executivo enumerou, ainda assim, aquelas que considera serem as vitórias da Madeira e as 14 vantagens acertadas com o Governo da República na altura da aprovação do Orçamento do Estado. Entre essa está o novo regime de incentivos do off-shore.



O chefe do Governo voltou a reafirmar que se não houver colaboração das autarquias irá executar as dívidas das Câmaras ao Governo e sector empresarial, um valor que neste momento é de 19 milhões de euros.  E também sugeriu à Assembleia que suscite a inconstitucionalidade dos cortes nas pensões.

Jardim é um dos cinco titulares de cargos públicos na Madeira que acumula a pensão e o salário. "Consegui defender-me porque tenho a lei do meu lado", disse.

Acusações à oposição

Durante o discurso, Jardim respondeu aos deputados da oposição, classificou alguns como "labregos", "boçais" e "mal educados" e terminou a intervenção com uma pergunta: "Quem é esta gente que desmerece do trabalho de todos nós?"



O PSD aprovou o orçamento de 1,6 mil milhões de euros. A oposição votou contra em bloco. No momento da votação já se ouvia na rua as palavras de ordem de uma manifestação da União dos Sindicatos da Madeira, ligada à CGTP.

Jardim não se cruzou com os manifestantes, saiu por outra porta e não ouviu os gritos de "Fora os aldrabões, queremos eleições", proferidos por manifestantes concentrados no largo em frente à Assembleia Legislativa.



Durante os três dias de debate do orçamento, as galerias da Assembleia destinadas ao público estiveram ocupadas por alunos de várias escolas e jovens ligados a projetos de inclusão social.