Siga-nos

Perfil

Expresso

Política

Jardim informa os candidatos que se demite a 12 de janeiro

"Estamos numa hora decisiva para a Madeira", escreveu Alberto João Jardim na carta aos militantes

Octávio Passos

Alberto João Jardim escreveu aos candidatos a líder dos sociais-democratas madeirenses e aos militantes. Aos primeiros informa que se demite depois do congresso, aos segundos apela à saída do partido se o resultado das eleições não for o desejado.

Marta Caires

Jornalista

O líder do PSD-Madeira enviou uma carta aos candidatos a informar que se demite depois do congresso; e uma outra aos militantes onde apela à saída do partido se o resultado das eleições não for o desejado.

Alberto João Jardim informou os seis candidatos a líder dos sociais-democratas madeirenses que se demite a 12 de janeiro de 2015, um dia depois da tomada de posse da nova comissão política regional. O futuro, explica na carta que enviou aos candidatos, caberá ao novo líder, a quem compete decidir se completa o mandato ou se convoca eleições antecipadas.



Esta carta é, no entanto, um dado inesperado já que esta terça-feira começou a chegar à caixa de correio dos militantes do PSD uma outra, também assinada por Jardim. O ainda presidente da comissão política regional despede-se dos militantes, lembra os anos de luta e o combate contra "os poderes ocultos", mas alerta contra os perigos que rondam o partido.



"Estamos numa hora decisiva para a Madeira", escreve na carta aos militantes onde fala dos "maus companheiros" com "ambições pessoais e materiais" que terão sido mobilizados pelos que escravizaram os madeirenses. Jardim acusa estes companheiros de partido de apoio a partidos adversários nas eleições autárquicas e de ter inscrito novos militantes que são contra a doutrina social-democrata.



Razões para que, segundo adianta a mesma carta de despedida, os militantes não devem permitir que o PSD caia nas "mãos de gente que não hesitará em destruir" o partido. O presidente do PSD e do Governo Regional, como assina a carta, lembra também que, se assim for, estará disponível para lutar pelos valores em que acredita.



De facto, garante, lutará com os militantes insatisfeitos porque um partido não vale por si só, "é um meio para atingir um fim. Jardim acredita que, em conjunto com os militantes insatisfeitos, saberá "encontrar caminhos necessários" para o povo madeirense.

 

Carta pouco esclarecedora

Os candidatos a quem escreveu a dizer que se demite da presidência do Governo com a eleição do novo líder são os visados desta carta. São os que estão fora da sua influência direta - Miguel Albuerque, Miguel Sousa e Sérgio Marques - e são também os que estão no Governo - Manuel António Correia e João Cunha e Silva -, os dois que mais novos militantes trouxeram para o partido em 2013. Curioso é que todos estes novos militantes foram todos aprovados pelo próprio Jardim.



Se esta carta é pouco esclarecedora - há quem a tenha entendido como um apelo à saída de militantes do PSD se o resultado das eleições internas não for o esperado - a resolução do último conselho regional sobre uma eventual impugnação das eleições veio baralhar ainda mais o ambiente pré-eleitoral. A proposta aprovada dá poderes à mesa do conselho regional para adiar o congresso em caso de impugnação.



A questão é que será muito difícil uma impugnação passar no conselho de jurisdição, o órgão que decide se um pedido destes avança ou é arquivado. As listas de militantes em condições de votar estão aprovadas e, neste momento, decorrem reuniões para garantir que todos os candidatos tenham um delegado nas mesas de votos.



Uma impugnação só poderá surgir de irregularidade no ato eleitoral e deverá partir de um candidato. A proposta sobre uma eventual impugnação partiu do secretariado do partido que, por enquanto, ainda é gerido por Jaime Ramos. E Jaime Ramos é um dos seis candidatos que a 19 de Dezembro vai à primeira volta das diretas do PSD-Madeira.