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Jardim desiste de vir para o continente e do seu mandato no Parlamento

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Segundo apurou o Expresso, Jardim apresentará uma justificação médica relacionada com os problemas de coração que sofreu recentemente

FOTO MIGUEL SILVA/AFP/Getty Images

Alberto João vai suspender o mandato de deputado em Lisboa, alegando razões de saúde. Deputados da Madeira gostavam de o ver defender revisão constitucional. Mudará Jardim de ideias?

Ângela Silva e Marta Caires

Alberto João Jardim desistiu de vir até à Assembleia da República e prepara-se para suspender o mandato de deputado. Ao que o Expresso apurou, Jardim apresentará uma justificação médica relacionada com os problemas de coração que sofreu recentemente e não deverá ocupar lugar no Parlamento até ao fim da legislatura.

Legalmente, após sair do governo regional (o que acontecerá com a posse do seu sucessor, Miguel Albuquerque, na próxima segunda-feira), Alberto João Jardim tem três hipóteses: ou assumir o lugar de deputado, ou renunciar, ou suspendê-lo temporariamente. Ao que o Expresso apurou, Jardim quer evitar a renúncia por uma questão de princípio - não passar a ideia de que menoriza o Parlamento para onde foi eleito nas últimas legislativas. E prefere a suspensão do mandato que a lei prevê por um período mínimo de 30 dias ou máximo de 180. 

Os deputados da Madeira chegaram a ver na defesa do projeto de revisão constitucional que apresentaram na Assembleia da República após a saída da troika uma oportunidade para Jardim vir defendê-lo. Tanto mais que o texto não se deixou acantonar nas questões da autonomia regional e propõe uma série de alterações no sistema eleitoral e na Justiça. Mas Jardim não parece querer envolver-se mais na política. Pelo menos para já. 

Imposição de Lisboa? 

O novo governo regional está escolhido, mas Miguel Albuquerque parte sem Pedro Calado, o seu vice-presidente na Câmara do Funchal, que todos esperavam que fosse o homem das Finanças e o seu número dois. A ausência fez abanar o novo governo antes da posse.  Albuquerque optou por convidar Rui Gonçalves, que transita do anterior Governo e conhece por dentro o Programa de Ajustamento da Região e as negociações da dívida. Há quem diga que a escolha é uma imposição de Lisboa e da ministra das Finanças. O gabinete de Albuquerque desmente: "Não faz qualquer sentido".