Siga-nos

Perfil

Expresso

Política

Jardim ameaça: "Não pensem que vou deixar a vida política"

  • 333

FOTO Tiago Petinga/Lusa

O ainda presidente do Governo Regional diz que a "história não acaba domingo" e que estará mais à solta "para integrar movimentos populares" dispostos a lutar contra a "burguesia possidente e inculta".

Marta Caires, correspondente na Madeira

Alberto João Jardim não vai deixar a vida política e está disposto a integrar os movimentos populares que queiram lutar contra a "burguesia inculta e possidente". O ainda presidente do Governo Regional fez a promessa nas obras do novo cais de cruzeiros do Funchal, onde esteve esta sexta-feira à tarde. Não para inaugurar o que estava pronto, mas para fazer uma espécie de declaração de princípios agora que está de saída das funções executivas.

"Não pensem que vou deixar a vida política", disse, em tom de promessa e ameaça a uma assistência de alguns secretários regionais e funcionários públicos que acompanharam a visita ao cais. Na verdade, explicou, abandona apenas a a vida partidária, da qual não leva saudades, e estará mais à solta para "integrar movimentos populares contra a burguesia". A mesma que esteve contra o progresso da Madeira e, em particular, contra o novo cais de cruzeiros do Funchal.

Foi ali que, em 2011, se fez o maior protesto contra Jardim nos 40 anos em que esteve no poder. Um cordão humano abraçou o que era então o aterro da grande aluvião de 20 de Fevereiro de 2010. Entre as vozes que se opuseram ao plano que remodelou a frente mar do Funchal estava a de Miguel Albuquerque, agora líder do PSD e candidato a presidente do Governo, mas esta sexta-feira à tarde Jardim não se referiu a Albuquerque, apenas à "burguesia possidente e inculta", expressão que repetiu várias vezes.

A mesma classe que não quer chegue ao poder após ter estado 40 anos arredada das decisões políticas na Madeira. A propósito, Jardim deixou nova ameaça: "não façam nada às escondidas do povo". É que, prometeu, "a história não acaba domingo" e o ainda presidente do Governo estará "mais à solta" para os combates necessários que começam na próxima segunda-feira.

Jardim também não mostrou grande apreço pela campanha eleitoral, onde se falou das "chinelas da Maria" e da construção de um novo hospital. Assuntos sem interesse já que o que é importante é ter mais autonomia, que o Estado assuma a dívida pública pelos "500 anos em que roubou e explorou a Madeira" e que se concluam as acessibilidades internas que estão por concluir. Os dossiers que devem interessar ao Governo que sair das eleições de domingo.

Quanto o seu destino pessoal, além da promessa de ficar por aí na vida política, disse que fez o que queria, o que gostava de fazer e que só lamenta ter sido ingénuo, ter confiado em quem não devia nestes 40 anos. De resto, à margem desta visita que não foi inauguração, Alberto João Jardim ainda comentou os resultados da TAP, que diz ser, neste momento, uma companhia estrangeira, gerida por estrangeiros, uma administração que resistiu a vários governos da República.

O presidente do Governo Regional, que esteve duas semanas em viagem pela Europa, inaugurou no último dia da campanha um barco de pesca, fez uma visita às obras do cais. Na agenda tem ainda mais uma inauguração no Porto Santo, onde estará nas férias da Páscoa.