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Inquérito ao BES. Salgado responsabilizado por manipulação de contas

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O deputado relator Pedro Saraiva, acompanhado por Fernando Negrão, quepreside à comissão parlamentar de inquérito à gestão do BES e do Grupo Espírito Santo, durante a apresentação do relatório preliminar

Alberto Frias

Pedro Saraiva, deputado do PSD, está a fazer a apresentação da versão preliminar das conclusões do inquérito parlamentar.

Filipe Santos Costa

Filipe Santos Costa

Jornalista da secção Política

O relator das conclusões da comissão parlamentar de inquérito ao caso BES/GES considera que, da investigação dos deputados, resulta o envolvimento de Ricardo Salgado na decisão de manipular as contas da Espírito Santo Internacional (ESI) desde 2008. Uma decisão que acabou por gerar uma bola de neve de ocultação de perdas, com subavaliação de prejuízos e sobrevalorização de ativos, que acabou por arrastar todo o grupo Espírito Santo e o banco.



Tendo em conta as falhas no modelo de governação do BES e do GES, a gestão personalizada em Ricardo Salgado e a existência de uma tesouraria centralizada, resulta "provável que o banqueiro tenha estado envolvido na decisão de manipulação das contas desde 2008", disse o relator, admitindo que também José Castela, o controller do grupo e braço-direito de Salgado, tenha estado desde o início envolvido neste processo.



Pedro Saraiva considera que ficou também demonstrado o envolvimento de Ricardo Salgado nas cartas de conforto à Venezuela, que geraram perdas de quase 300 milhões de euros, na "complexa montagem de engenharia financeira" relacionada com a recompra de obrigações, que obrigou à constituição de uma provisão de 1248 milhões de euros.



Salgado é igualmente envolvido nos negócios do GES com a PT. A aplicação dos quase 900 milhões de euros que a telefónica perdeu com o colapso do império Espírito Santo teve o envolvimento e o conhecimento, "ainda que com graus variáveis de detalhe", de Henrique Granadeiro, Zeinal Bava, Luís Pacheco de Melo, Salgado, Amílcar Morais Pires e Joaquim Goes, entre outros, disse o relator.



A apresentação do relatório preliminar da CPI ainda decorre na Assembleia da República, estando o documento dividido em quatro partes: introdução e enquadramento, descrição do mandato e trabalhos desenvolvidos, apuramento dos factos e conclusões e recomendações.



Depois da sua exposição inicial, Pedro Saraiva será depois questionado pelos vários partidos em duas rondas. Posteriormente, e até dia 23, serão apresentadas as propostas de alteração dos partidos ao relatório preliminar, e no dia 29 de abril o texto final terá de estar pronto.