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Política

Homenagearam-se os mortos. Honraram-se os vivos

O estandarte nacional está de volta ao Estado-Maior-General das Forças Armadas

Ana Baião

Forças Armadas assinalam encerramento da participação nacional na ISAF, a missão da NATO no Afeganistão. 

Carlos Abreu

Jornalista

Forte do Bom Sucesso, Lisboa, 4 de dezembro de 2014. 16h13. Com a entrega do estandarte nacional ao chefe de Estado-Maior-General das Forças Armadas chegou simbolicamente ao fim a participação portuguesa na Força Internacional de Assistência e Segurança (ISAF), a operar no Afeganistão sob o comando da NATO nos últimos 12 anos.

O momento é solene. As forças em parada, constituídas pelo 8º e último contingente que regressou a Portugal nas últimas semanas, e por representantes dos mais de três mil militares que por lá passaram, cantam o hino frente ao estandarte. Heróis do mar, nobre povo, nação valente.

Momentos antes, prestou-se homenagem aos dois mortos em combate. O capelão António Borges chama pelo seus nomes: "primeiro-sargento comando Paulo Roma Pereira". "Presente!" gritam as forças em parada. "Soldado paraquedista Sérgio Pedrosa". "Presente!", repetem. Os nomes dos dois homens que perderam a vida em 2005 e 2007, respetivamente, ficarão gravados no Monumento aos Combatentes, mesmo ali ao lado. "Que descansem na paz de Deus. Que vivam no coração e na memória de todos nós", remata o capelão.

E a cerimónia segue com a imposição de condecorações: três medalhas de serviços distintos, mais três de mérito militar e cinco cruzes de São Jorge. Homenagear os mortos. Honrar os vivos.

Foi o que fizeram os dois homens a quem coube discursar. Pina Monteiro lembrou que os militares portugueses enfrentaram um "teatro de operações complexo, perigoso, atípico e desafiante" e que "contribuíram de forma continuada para o esforço coletivo de combate ao terrorismo". Já o ministro da Defesa, Aguiar-Branco, declarou que estes homens e mulheres, "melhor do que ninguém, sabem que a nossa paz também pode começar num local tão distante como as montanhas do Afeganistão". A 8637 quilómetros, precisou.

Neste final de tarde fria mas soalheira, os boinas vermelhas, verdes e negras, de comandos, paraquedistas e fuzileiros, tiveram que percorrer bem menos do que isso no desfile que encerrou a cerimónia militar evocativa da participação nacional na ISAF. Tudo começou em 2002. Terminou esta quinta-feira, às 16h13. A dois passos da Torre de Belém.