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Henrique Neto. "Claro que têm medo da minha candidatura"

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Manuel de Almeida/Lusa

O primeiro candidato oficial à corrida a Belém admite que só ficará satisfeito com uma vitória. "Nesta fase da minha vida o que poderei ganhar com um a candidatura à Presidência da República sem ser vencer as eleições?", questiona Henrique Neto.

Depois da apresentação da sua candidatura à Presidência da República, Henrique Neto deu esta noite uma entrevista ao programa "Negócios da Semana", na SIC Notícias, tendo-se manifestado otimista quanto a uma vitória eleitoral. E prometeu ser mais interventivo enquanto Chefe de Estado.

"Eu não tenho bruxa nenhuma, mas espero ganhar. Nada menos do que isso é um bom resultado. Por acaso até penso em ganhar pois as pessoas têm em conta que a sociedade civil está a ajudar imenso", afirmou Henrique Neto.

O empresário de Leiria, de 78 anos, sustentou que os portugueses estão confrontados com a "insensibilidade das direções partidárias" e encontram "partidos bloqueados com pessoas que estão lá há dezenas de anos e nunca fizeram nada". "Eu já provei na vida que faço acontecer", disse perentório.

Defendendo que a sua candidatura independente, como elemento da sociedade civil, é uma mais-valia para o panorama político, Henrique Neto adiantou que irá apresentar duas páginas com uma estratégia para o país para os próximos 20 anos com vista a sensibilizar os portugueses para os problemas nacionais e mobilizar o debate para as legislativas, sustentando que um dos grandes problemas dos governantes é que "navegam à vista sem uma ideia para o país, para o futuro" e sem sequer noção do contexto.



"É evidente que os candidatos que existem são do sistema, apoiados pelos partidos. Acredito que  esses candidatos não têm energia, capacidade e desejo para a mudar o sistema", realçou o antigo deputado socialista.

Apelo a doações para a campanha

Questionado por José Gomes Ferreira sobre quem irá pagar a sua candidatura a Belém, Henrique Neto respondeu esperar que sejam os seus simpatizantes. "Espero que sejam os portugueses, nós fundámos uma associação para poder formal e legalmente pedir contribuições aos portugueses no mínimo 10 e no máximo de 100 euros por mês. E passamos recibos legalmente com contabilista. Das empresas não aceito porque não é permitido, mas aceitarei dos empresários com muito gosto como prevê a lei".

Sobre as suas ideias para o país, Henrique Neto diz que irá avançar já com algumas delas na campanha, nomeadamente a nível da saúde, logística e telecomunicações. Não esquecerá também de manifestar a sua visão atântica. "Se nos limitarmos à nossa dimensão europeia, esquecendo a estratégia de séculos como país atlântico - emÁfrica ou na América - centramo-nos só na Europa o que é um erro", considerou.

Assumindo-se como socialista, o candidato presidencial frisou que o "PS não lhe é indiferente", sendo "um grande partido da democracia do PS", mas que respeita a opinião do líder António Costa que disse que a candidatura de Henrique Neto lhe era "indiferente".

Confrontado sobre eventuais receios quanto à sua candidatura, depois de ter sido um forte crítico de José Sócrates e ter apoiado António José Seguro nas primárias no PS, Henrique Neto afirma: "Claro que sim, que têm medo da minha candidatura".



Prisão de Sócrates era só uma "questão de tempo"

Garantiu que a prisão de Sócrates não foi uma surpresa, sendo para ele há vários anos só "uma questão de tempo". "A preocupação do ex-primeiro ministro mesmo antes de ser PM era de escolher um Procurador-Geral da República e de tomar algums amedidas. Primeiro quis escolher as pessoas e depois fez o que  tinha a fazer. Insistiu muito para a nomeação mesmo antes de ter terminado o período de governação do Procurador anterior. É essa a minha convicção", declarou.

Prometeu ainda mudar o sistema eleitoral, caso seja eleito sucessor de Cavaco Silva. "Desde logo é preciso apostar na votação nominal nos deputados da Assembleia da República e não nos partidos. Os partidos dizem que é caciquismo, mas mais caciquismo do que já existe é impossível. Há duas equipas, há Sporting e Benfica [PS e PDS] e quando estão na reserva vão para empresas", criticou.

E assegurou que será mais interventivo enquanto Chefe de Estado, rompendo com a linha de atuação de Cavaco. "O PR assina leis, a maioria delas passam pelas suas mãos para assinatura. Os portugueses queixam-se que as leis foram feitas para conveniência dos escritórios de advogados, que têm contradições enormes e o PR assina. Agora suponha-se que o PR tem dois ou três juristas de qualiadade que analisam as leis do ponto de vista da linguagem, da clareza  das intenções e o PR pode pode mandar os diplomas para trás", frisou.

Falando sobre a campanha, Henrique Neto avançou que nos próximos meses de 3 em 3 semanas será apresentada a sua posição política sobre grandes temas nacionais. "A minha posição sobre dívida já está escrita. E o texto começa assim: a dívida portuguesa é para pagar". Uma surpresa depois de ter assinado o Manifesto que defendia a reestruturação da dívida.