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Há sete anos que não acontecia: um primeiro-ministro francês visita Portugal. E o importante é o crescimento

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FOTO REUTERS

Visita de Manuel Valls está marcada para esta sexta-feira e prevê encontros com empresários, Cavaco Silva e Passos Coelho. Políticas da UE em debate.

Luísa Meireles

Luísa Meireles

Redatora Principal

Debater a política de crescimento na União Europeia e explicar a da França em particular, bem como as perspetivas das relações bilaterais, muito especialmente as interconexões energéticas, são os principais temas das conversações do primeiro-ministro francês com Passos Coelho e Cavaco Silva. Valls faz esta sexta-feira uma curta visita a Portugal. 

O governante francês chega a Lisboa na quinta-feira à noite, vindo de Marrocos, e partirá no dia seguinte ao princípio da tarde, de regresso a Paris. Durante a sua estadia, terá um encontro com empresários portugueses no CCB - onde fará uma intervenção sobre as políticas de investimento, de crescimento e de emprego francesas -, seguindo-se um encontro com o Presidente da República e, logo de seguida, com o primeiro-ministro, revelou esta quarta-feira aos jornalistas o embaixador da França em Portugal, Jean François Blarel. 

No seu encontro com Passos Coelho, o primeiro-ministro francês fará ainda questão de reafirmar o compromisso perante as exigências de Bruxelas, que concedeu a França mais dois anos para cumprir o défice dos 3%, a troco de reformas estruturais substanciais - uma decisão da Comissão que levantou algumas interrogações em Portugal.  

O Governo francês está ciente que, estando ambos os Executivos de acordo relativamente à necessidade de políticas de crescimento, não pensam todavia o mesmo sobre as estratégias a seguir, explicou o embaixador Blarel.

Equilíbrio das contas não pode matar crescimento

Manuel Valls, que se tem revelado um primeiro-ministro mais ativo no exterior que os seus antecessores, tem explicado que a política de crescimento e de investimentos na Europa é fundamental neste momento, em que fatores externos como a baixa do preço do petróleo, das taxas de juro e a desvalorização do euro podem dar "um empurrão" à economia. 

Nesse sentido, Valls tem sido intransigente na defesa da sua posição de que é preciso uma política de equilíbrio da contas públicas e de redução das despesas públicas, mas não ao ponto de "matar" o princípio de crescimento que começa a observar-se na Europa e em França. 

De um ponto de vista bilateral e europeu, a discussão sobre as interconexões energéticas será um dos temas mais relevantes, dando seguimento à cimeira tripartida que em março juntou em Madrid os primeiros-ministros espanhol, português e o Presidente francês, François Hollande. 

A ideia é fazer avançar os projetos da construção de linhas e de gasodutos através dos Pirenéus, mas com uma ajuda europeia - o que o torna um projeto elegível dentro dos critérios do plano Juncker. 

Quanto às relações comerciais bilaterais, neste momento a balança externa releva um défice desfavorável para França (800 milhões de euros), o que faz do assunto outro dos temas a debater. 

A última visita de um primeiro-ministro francês a Portugal ocorreu em 2008. Passos Coelho deslocou-se a França no princípio de 2013.