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Frenesim presidencial. Paulo Morais e Carvalho da Silva candidatos

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Paulo Morais admite que Portugal precisa de “uma grande regeneração” a todos os níveis

António Pedro Ferreira

Paulo Morais diz ao "Correio da Manhã" que é candidato. E o "Jornal de Notícias" garante que Carvalho da Silva já prepara a candidatura.

Henrique Neto deu o tipo de partida, Sampaio da Nóvoa agitou as águas da esquerda e eis que as candidaturas presidenciais nascem como cogumelos. Paulo Morais, professor universitário e comentador do "Correio da Manhã", dá uma entrevista ao jornal que não deixa margem para dúvidas: "Sou candidato às presidenciais". E dá pormenores: a candidatura será apresentada no próximo dia 18, no Piolho, um café emblemático da cidade do Porto. "Depois de uma longa reflexão entendi que essa era a melhor forma de intervir na política", diz Paulo Morais.

O Expresso tentou falar com Paulo Morais, mas o telemóvel estava desligado. Na entrevista, o candidato aponta como bandeiras eleitorais o combate à corrupção, transparência da vida vida pólitica e pública e respeito pelos princípios constitucionais. Quanto a apoios, refere que "a campanha será modesta" e que depois de ter dado três voltas a Portugal nos últimos dois meses, verificou que tinha condições e apoio popular "para prosseguir este combate".

Paulo Morais admite que Portugal precisa de "uma grande regeneração" a todos os níveis. Outro ponto mencionando na entrevista passa pela acumulação de cargos dos deputados no Parlamento, que além de deputados são funcionários de outras empresas. Acusa-os de utilizarem a informação privilegiada a que tem acesso no Parlamento para beneficiar os grupos económicos onde trabalham. "Os deputados estão no Parlamento não por lealdade ao povo que os elegeu".

Natural de Viana do Castelo, Morais tem 52 anos, é casado e pai de cinco filhos. Atualmente é professor na Universidade Portucalense, onde leciona nas áreas da estatística e matemática. Foi o número dois de Rui Rio, entre 2002 e 2005, na Câmara Municipal do Porto e pertenceu à Associação de Transparência e Integridade. Aos 16 anos tornou-se militante do PSD, lugar que só deixou em 2013.

Segundo o "JN", Carvalho da Silva já convidou personalidades do seu círculo mais próximo para integrar a equipa de trabalho da sua candidatura

Segundo o "JN", Carvalho da Silva já convidou personalidades do seu círculo mais próximo para integrar a equipa de trabalho da sua candidatura

Filipe Neri

Carvalho da Silva na rampa de lançamento A Paulo Morais segue-se Carvalho da Silva. O "Jornal de Notícias" de hoje garante que o ex-líder da CGTP já trabalha na candidatura. Nas declarações que prestou ao matutino de que é cronista, Carvalho da Silva reconhece que a hipótese presidencial se mantém.

"Sem grandes pressas e sem obsessões, havia essa possibilidade e essa possibilidade mantém-se", reagiu. "Há que deixar pousar esta poeira que anda no ar, antes de iniciar qualquer que seja o percurso", respondeu. Segundo o "JN", Carvalho da Silva já convidou personalidades do seu círculo mais próximo para integrar a equipa de trabalho da sua candidatura.

"Há amigos e pessoas que são próximos de várias áreas políticas, que têm mostrado interesse nesse caminho, refletindo sobre o cenário político e socioeconómico do país", comentou Carvalho da Silva.

Carvalho da Silva, com 66 anos, é casado e tem três filhos. Nasceu e cresceu em Barcelos, no seio de uma família de agricultores. Começou como eletricista e foi durante 25 anos a cara da CGTP (Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses - Intersindical Nacional). Aos 44 anos entrou no Instituto Universitário de Lisboa, onde se licenciou em Sociologia. Continuou a atividade académica e em 2007 fez o doutoramento na mesma faculdade.

Antigo militante do Partido Comunista desfiliou-se em 2012, pouco tempo decorrido sobre a sua saída da liderança da central sindical, embora só mais de um ano depois é que esse facto tenha sido tornado público.

Atualmente é professor catedrático convidado da Universidade Lusófona e investigador no Centro de Estudos Sociais (CES). É também coordenador do CES em Lisboa e do Observatório sobre Crises e Alternativas.