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Política

Facebook produz novos partidos em tempo recorde

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Vem aí o 24.º partido. Chama-se PURP e reuniu 8.770 assinaturas em quatro meses. Tudo online. Não é o único.

O Partido Unido dos Reformados e Pensionistas (PURP) é a última novidade na cena política nacional. E uma surpresa. Na última terça-feira, um grupo de dirigentes apresentou ao Tribunal Constitucional 8770 assinaturas - bastante acima das necessárias - para se constituir como o 24º partido português. Ninguém sabia que estava na forja. Nem podia. Na verdade, tudo se passou no mundo virtual e em circuito fechado. Em quatro meses, uma página do Facebook fez o trabalho que, dantes, precisava de muitos anos de militância para poder ver a luz do dia. Já não é o primeiro caso.

António Mateus Dias reformou-se há três anos de uma carreira de técnico administrativo da ANA e da NAVE, as empresas que gerem os aeroportos nacionais. É o líder, porta-voz e mentor do PURP e já pensa em "voos mais altos" se o partido for aceite pelos juízes constitucionais. Quer isto dizer, que admite concorrer às legislativas onde "até pensamos ganhar". A ideia de criar um partido é, porém, recente. "Tínhamos um grupo cívico no Facebook", mas a falta de capacidade de passar da realidade virtual para a intervenção política fê-los avançar. "Percebemos que assim não íamos a lado nenhum". Mudaram a página para um projeto de partido e começaram a reunir assinaturas, vontades e programas. Sozinhos na rede. Porque "não há organizações de reformados isentas e não queremos nada com o passado".

O novo berço partidário

Entre os perto de três mil apoiantes da página do Facebook do candidato a partido - a única bitola para medir o seu apoio político -, António Dias garante que "há pessoas de todos os quadrantes e profissões". Uma garantia de que "há muitos reformados que podem governar este país melhor do que muitos dos que lá estão, ou estiveram", afirma.

O Nós Cidadãos, que também aguarda resposta do TC desde 24 de março, para se constituir como partido, começou da mesma forma virtual. Hoje, tem mais de 18 mil seguidores no Facebook e constituiu 200 páginas regionais, entre concelhos do território e da diáspora portuguesa espalhada pelo mundo. Juntou personalidades tão diferentes como o cantor José Cid e o juiz Rui Rangel, mas sabe que parte da sua força é conquistada nas redes sociais. "Somos mesmo um case study", diz o professor universitário Mendo Henriques, que aponta o facto de alguns posts terem "mais de um milhão de visitantes" como uma prova de que a realidade virtual é um caso sério em matéria política.

O AGIR, de Joana Amaral Dias, tem mais de 3 mil seguidores no Facebook. A opção escolhida para reforçar a intervenção política - depois de falhado o projeto, igualmente online, do Juntos Podemos - passa por uma ligação ao já constituído Partido Trabalhista. Não será através das redes sociais que o movimento vai angariar assinaturas, mas é apenas nelas que faz campanha, angaria apoios, organiza encontros. Tal como é online que, semanalmente, é divulgado um debate televisivo sobre temas de atualidade. A realpolitik acabou. Chegou a hora da virtualpolitik?