Siga-nos

Perfil

Expresso

Política

Europa a meio da ponte. Silva Peneda: "Acaba-se ou caímos"

  • 333

Para evitar o risco de colapso, Silva Peneda diz que a zona euro precisa de reformas profundas, um orçamento comum e "uma cabeça que comande" medidas anticíclicas

Tiago Petinga/Lusa

O próximo assessor de Jean-Claude Juncker para a área dos Assuntos Sociais afirma que a Europa é hoje uma manta de retalhos e que não concebe uma moeda única para 18 países com dívidas públicas diferentes.

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

Em fim de funções como presidente do Conselho Económico e Social (CES), Silva Peneda sustenta que os problemas económicos e sociais da Europa "não estão" a ser resolvidos de forma adequada.

"Basta olhar para as taxas de desemprego e desemprego jovem", afirma em entrevista ao "Público", esta segunda-feira, o ex-ministro do Emprego e Segurança Social de Cavaco Silva no dealbar da década de 90, concluindo que o problema europeu já não é ideológico mas geográfico.

A um mês e meio de deixar a liderança do CES, Peneda frisa que que os socialistas e sociais-democratas do norte da Europa pensam "de forma distinta" dos do sul, com diferenças culturais e económicas que contribuem para que o continente seja uma "manta de retalhos" que precisa de "um tratamento muito distinto".

O social-democrata que em breve irá assessorar Juncker em Bruxelas na área dos Assuntos Sociais, preconiza que a Europa está a meio da ponte, que se acaba "ou caímos da ponte". Para evitar o risco de colapso, adianta que a zona euro precisa de reformas profundas, um orçamento comum e "uma cabeça que comande" medidas anticíclicas.

"Não concebo que possa haver uma moeda única numa zona onde há 18 dívidas públicas diferentes, geridas autonomamente", questionando o comando "não formal" da Alemanha. "Quem legitima as decisões tomadas? É o grupo dos ministros das Finanças?", interroga-se Silva Peneda, para concluir que há na Europa um problema de legitimação política.

A solução, segundo ele, passa por um Parlamento com representantes nacionais, sendo fundamental não insistir no "erro" de pensar que devem ser o Conselho Europeu e os ministros da Finanças a decidir o destino dos povos.

Nem uma palavra aos "esquecimentos" de Passos Coelho

Numa entrevista em que se escusa a comentar as dívidas de Passos Coelho à Segurança Social, alegando que estamos já em período de campanha eleitoral, o ainda líder do CES afirma que "o tempo e a história encarregar-se-ão de fazer o juízo de valor final" do líder social-democrata como primeiro-ministro.

Crítico do programa da troika feito à bruta, que em sua opinião gerou movimentos políticos como o Syriza (Grécia) ou o Podemos (Espanha), Peneda defende que Portugal teria ganho com uma posição "neutral e construtiva" em relação à Grécia, afastando-se assim implicitamente das posições de exigência do Governo em relação às negociações da dívida de Atenas.

A nível interno, José Silva Peneda alerta que só um Governo de maioria absoluta terá condições para resolver os problemas estruturais ainda por resolver da economia portuguesa.