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Esquerda: entre as críticas ao Governo e o politicamente correto

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FOTO TIAGO MIRANDA

PEV, BE e PCP aproveitaram os discursos do 25 de abril para atacar as "políticas da direita". PS preferiu uma abordagem institucional.

Cristina Figueiredo

Cristina Figueiredo

Jornalista da secção Política

As boas oportunidades não se desperdiçam e foi esse o entendimento que presidiu às intervenções dos partidos mais à esquerda na sessão solene comemorativa do 41 aniversário do 25 de abril, na Assembleia da República. Heloísa Apolónia, do PEV, Pedro Filipe Soars, do BE e Carla Cruz, do PCP, fizeram duras críticas às políticas que têm vindo a ser seguidas pelos partidos do Governo - acusação que os comunistas estendem ao PS - mas também ao Presidente da República, por pedir consensos considerados "intoleráveis". 

"Disputando entre si pequenas diferenças de ritmo e intensidade, a troica interna dos executantes da política de direita confirmou nos últimos dias não ter para oferecer aos portugueses outra coisa que não seja a continuação da mesma política de exploração, empobrecimento e declínio nacional", afirmou Carla Cruz, numa alusão indireta ao programa de estabilidade aprovado há uma semana em Conselho de Ministros, mas também ao cenário macroeconómico apresentado esta semana pelo PS.

Os três partidos mais à esquerda do hemiciclo recusaram em uníssono a "inevitabilidade" da austeridade, "apresentada como o alfa e o ómega, o princípio e o fim de todas as escolhas"(Pedro Filipe Soares). "Não existem inevitabilidades em política, porque existem sempre soluções e políticas alternativas" (Heloísa Apolónia). Defendendo a renegociação da dívida, recusando a "escritura na rocha" do Tratado Orçamental Europeu, apelaram ao "povo não resignado", o mesmo que, há 41 anos, permitiu abril.

Já o PS, pela voz de Miranda Calha, vice-presidente da AR e um dos poucos deputados que esteve na Assembleia Constituinte, optou por uma intervenção politicamente mais suave.  O deputado saudou "os rostos da liberdade" que protagonizaram as primeiras eleições livres, há precisamente 40 anos, e defendeu "o primado da política", cada vez mais necessário nesta época em que "extremismos populistas ameaçam a Europa e em que a crise económica leva a desilusões sem retorno".

Referindo-se ( e foi o único a fazê-lo, nos dicursos proferidos esta manhã na AR) às duas próximas eleições, legislativas e presidenciais, Miranda Calha defendeu que "candidaturas e candidatos apareçam perante o país com a clareza de objetivos que a situação requer".  

Criticou depois o facto de hoje se assistir ao "depauperar de um património que deveria estar acima da gestão circunstancial da coisa pública": a ideia de Estado, de soberania nacional. E propos que se regresse ao Mar e à Língua.