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Eleições antecipadas à vista. Jardim volta?

Frenético, Jardim? admite criar um partido. Vir para São Bento. Ir às presidenciais.? Ou voltar ao governo.? A Madeira prepara-se para eleições antecipadas.

Ângela Silva e Marta Caires

A enigmática frase de Alberto João Jardim - "Se voltar à política é para a presidência do governo regional" - engrossa o enigma que o líder madeirense se tem entretido a alimentar em torno da sua saída de cena. A escassos dias das eleições que, entre 19 e 29 de dezembro, escolherão o seu sucessor à frente do PSD/Madeira, Jardim mostra não querer abandonar o palco e os cenários quanto ao seu futuro político são infindáveis. Admitiu vir ocupar o lugar de deputado na Assembleia da República; deixou alguns dos seus mais próximos alimentarem a hipótese de uma candidatura presidencial; e não afasta uma rutura com o PSD e o lançamento de um novo partido. Para os madeirenses fica uma certeza: a fratura no PSD-Madeira somada à escassa maioria na Assembleia Regional ameaçam precipitar a região em eleições antecipadas.

Depois de ter dito que sairia a 12 de janeiro, Jardim veio afirmar-se disponível para ficar no governo até ao fim do mandato, a bem da estabilidade política e se o novo líder do PSD assim o entendesse. Mas a proposta tem apenas um apoiante entre os seis candidatos a presidente dos sociais-democratas - João Cunha e Silva -, os outros querem eleições antecipadas. Mesmo que Alberto João não se demita, o mais provável é enfrentar uma moção de censura. O CDS garante que a apresenta se for o caso, e Jardim já não tem o apoio do grupo parlamentar do PSD. A maioria dos 24 deputados está com Miguel Albuquerque, o candidato mais bem colocado nas sondagens e que tem o apoio de Passos Coelho.

A rutura entre Alberto João e o PSD nacional atingiu, aliás, níveis nunca antes vistos e explica parte do frenesim com que o líder regional está a gerir a sua saída. Guilherme Silva, o vice-presidente da Assembleia da República que sempre funcionou como facilitador da ligação entre Jardim e a direção nacional do partido, está neste momento a braços com um processo disciplinar por ter votado contra o Orçamento do Estado. E a discussão que travou com o líder parlamentar numa recente reunião da bancada ilustrou bem a alta tensão instalada. Guilherme Silva lembrou que no tempo de Cavaco e de Durão Barroso os deputados da Madeira também divergiram em votações de OE, sem ter havido sanções. E acusou a atuação "de bando" do grupo parlamentar. Mas Luís Montenegro acusou-o de deslealdade e o braço de ferro para o deputado deixar a vice-presidência da AR (o que se recusa a fazer por ter sido eleito por vários partidos) inquinou definitivamente as relações entre o jardinismo e o passismo.

Não será por acaso que Alberto João admite vir até São Bento. Ele foi cabeça de lista nas legislativas de 2011, não renunciou ao mandato e, segundo fonte próxima, "gostaria de vir a Lisboa dizer umas verdades". Mas resta-lhe pouco tempo. Quanto à próxima legislatura, falta saber se o novo presidente dos sociais-democratas quer Jardim como candidato. E a mesma dúvida se coloca caso Jardim tente regressar ao lugar de deputado à Assembleia Regional. As últimas sondagens colocam Miguel Albuquerque como favorito nas eleições internas do PSD-Madeira e as relações com Alberto João são de rutura total, o que pode não lhe augurar nada de bom.  

Na carta de despedida que enviou aos militantes, Jardim sugeriu que estará disponível para continuar a luta ao lado dos madeirenses. E aqui surge outra das hipóteses: deixar o PSD e formar um novo partido. Ou usar alguns dos movimentos que entretanto surgiram na região como "barriga de aluguer" para continuar na política. A hipótese de uma candidatura a Belém foi entretanto lançada por Guilherme Silva. Sem hipóteses de ganhar, Jardim podia "revelar ao país o seu projeto de reforma do regime". Quem o conhece diz que "ele adoraria fazer esse número". Aceitam-se apostas.