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E o prémio de melhor cartaz das autárquicas vai para...

A pedido do Expresso o autor e apresentador do programa da SIC "Filhos da Pub", Gonçalo Morais Leitão, comenta alguns dos mais singulares cartazes eleitorais das autárquicas. 

Gonçalo Morais Leitão

OS POLÍTICOS podem ser filhos de muita coisa mas filhos da pub é que não são de certeza. Salvo raríssimas exceções, não há memória de uma campanha decente em Portugal. Do ponto de vista da comunicação, entenda-se.

Todos os anos, como ex-publicitário, mas, acima de tudo, como eleitor, faço figas para que apareça alguma que me surpreenda. "Este ano é que é!" (expressão também muito utilizada por mim enquanto sportinguista). Mas não, mal colocaram os primeiros cartazes, vi logo que ainda não era este ano (quanto ao Sporting mantenho a esperança, ou não fosse o verde a cor da própria).

Mas seria um problema só aqui da zona onde vivo? Foi então que, a convite do Expresso, encetei um périplo pelo país em busca da resposta. Uma espécie de volta a Portugal em cartazes.

Mário Gil cantava "Pelos caminhos de Portugal eu vi tanta coisa linda, vi um mundo sem igual." No meu caso, a música foi outra. Cante comigo:

Pelos caminhos de Portugal eu vi muita coisa feia vi cartazes sem igual.

Eu vi Estoril, Eu vi Sintra, eu vi Cascais, Da Batalha eu fui a Vagos Onde a banalidade impera mais.

Em Trás-os-Montes Com carinho eu fui a Bragança Mas quando lá cheguei Perdi logo a esperança.

Eu vi sedes Vi muitas fachadas Onde os políticos mostram Campanhas muito pouco amanhadas

Eu vi o sul Eu vi o norte, eu vi de tudo Eu vi cartazes De ficar completamente mudo

E aos melhores (ou piores, depende do ponto de vista) decidi atribuir um prémio. Porquê? Porque eu sou um Filho da Pub.