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Direita. Marcelo vai parar de junho a outubro

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Marcelo não cede: o seu calendário é outubro e não negoceia timings. Se Rio for antes e vingar, ele não vai; se Rio se queimar com Passos, ele avança depois das legislativas.

À exceção dos seus comentários semanais na TVI, Marcelo Rebelo de Sousa tencionar sair de cena entre junho e outubro. Depois de meses de intensa atividade no terreno partidário, onde aceitou dezenas de convites e fez dezenas de comícios no âmbito das comemorações dos 40 anos do PSD, Marcelo quer recatar-se e aguardará por finais de setembro, princípios de outubro, para anunciar a sua decisão sobre presidenciais.

Marcelo sabe que Rui Rio está a ser fortemente pressionado para se antecipar antes do verão, mas não está disposto a precipitar-se por causa disso. Ao contrário, a sua estratégia prevê duas hipóteses. Se Rio avançar até junho e chegar a outubro desgastado pelo impacto das legislativas, sobretudo se Passos as perder, Marcelo admite surgir como o único que, tendo-se mantido afastado, pode oferecer ao centro-direita a vitória que terá visto escapar para o PS.  Se, ao contrário, Rio resistir ao desgaste de correr ao lado de Passos ou se este conseguir evitar uma hecatombe nas legislativas, então Marcelo não afasta ter de dizer que, afinal, não é candidato.

Os seus apoiantes acham que já não há margem de recuo e que a forma como Marcelo galvanizou as bases do PSD nos últimos meses só lhe dará motivos para não desistir. Mas a verdade é que o próprio não está disposto a precipitar-se. E só em outubro, com uma noção mais clara do estado da corrida à esquerda e do estado da direita no terreno, decidirá. 

A sugestão de Morais Sarmento, que veio defender que o timing para a direita ter um candidato é até junho e sugeriu que Marcelo e Rui Rio devem "entender-se", cai, assim, em saco roto. Marcelo não aceita rever o calendário. Talvez se Passos  quisesse fazer de pivô de uma negociação nos bastidores, houvesse um milagre. Mas Passos não vai meter-se nisso. 

Entretanto, as movimentações para convencer o ex-presidente da câmara do Porto a avançar quanto antes são notórias, até pela incerteza sobre o que lhe restaria se perdesse a oportunidade de Belém. Por um lado, Rio não tem a certeza de que Passos saia da liderança do PSD. Por outro, mesmo que Passos saísse, não é certo que António Costa, ganhando as eleições, reserve grande papel ao líder da oposição. Neste contexto, Rio é aconselhado a virar-se para o que as sondagens têm dito ser o mais seguro: as presidenciais. O próprio, na semana passada, em mais uma das suas sincopadas aparições públicas, disse esperar "que a poeira assente" e avisou que o "excesso de exposição desgasta".

É precisamente isso que Marcelo quer evitar. O professor ainda tem em carteira convites do PSD para sessões públicas até finais de maio. Mas de junho a setembro (quando até admite ausentar-se do país) serão meses em que o professor apenas aparecerá na TVI. O PS vai contestar que ele fique em antena como pré-candidato, mas ele dirá que Costa fez o mesmo quando, como candidato à liderança do PS, continuou na "Quadratura do Círculo". Conseguirá Marcelo aguentar-se?