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Dados do desemprego não são "embaraço" para o Governo. Palavra de Passos Coelho

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FOTO ALBERTO FRIAS

Primeiro-ministro desvaloriza os dados mais recentes do INE sobre o desemprego, que apontam para uma subida da taxa em fevereiro - os jovens, em particular, são dos mais afetados. "Quando comparamos com período homólogo, o desemprego é mais baixo", argumenta o chefe de Governo.

Na abertura do debate quinzenal desta quarta-feira, Ferro Rodrigues começou a atacar o primeiro-ministro fazendo uma alusão ao dia 1 de abril - dia das mentiras -, dizendo esperar que na discussão só tenha lugar a verdade, apontando ainda para os "graves" números do desemprego divulgados esta semana pelo INE.

"Faz hoje quatro anos que o presidente do PSD respondeu a uma jovem dizendo que era um disparate a ideia de que o PSD ia acabar com o 13º mês. Mas só não foi mais porque o Tribunal Constitucional o impediu.  Esperemos que hoje o debate não seja na mesma lógica, mas acho que não vamos estar muito longe do 1 de abril. Tem soado a propaganda política a [ideia de que há] recuperação e agora o Executivo ficou perplexo com os dados do INE de há dias" ", declarou Ferro Rodrigues.

Afirmando que o desemprego recuou 20 anos e a emigração cerca de 50 anos - à semelhança do que o líder socialista António Costa referiu em intervenções neste fim-de-semana, o deputado socialista defendeu que a situação é "gravíssima", nomeadamente a quebra do desemprego por seis meses consecutivos.

Em resposta, Passos Coelho recusou-se a comentar as "insinuações" do deputado socialista relativamente ao 1 de abril, aproveitando para associar a data à formalização da saída de António Costa da autarquia lisboeta. "É um dia importante o dia em que o líder do seu partido deixa Câmara de Lisboa para se dedicar exclusivamente à oposição. Espero que isso, aliás, contribua para uma melhor oposição", realçou.

Passos garantiu ainda que os últimos dados do INE não são um "embaraço" para o Governo, alegando que a revisão foi "sensível". "O Governo ainda não está em condições de formular uma explicação, porque ainda não conhecemos os fundamentos", disse o primeiro-ministro, lembrando que o desemprego, quando comparado com período homólogo de 2014, é mais baixo.

"Queria que o PS pudesse ao menos admitir neste debate que a economia do país está a crescer e que apesar das dificuldades que tivemos diariamente em vários anos de profundo ajustamento, conseguimos obter um desempenho favorável, quer em termos de desemprego, quer em termos de emprego face a anos atrás", disse o governante.

"Os resultados não têm sido alcançados por milagre, mas por determinação forte de políticas públicas e dos portugueses que acreditam nessa recuperação", acrescentou.